Há encontros que acontecem sem uma intenção, mas acontece que, em alguns, se pode encontrar uma intenção. Aconteceu entre Eva Claessens e Rita e João Soares. Aconteceu a linguagem artística da escultora belga encontrar na Herdade da Malhadinha Nova uma afinidade natural: no espaço, na luz, na filosofia. “Partilhámos uma refeição e descobrimos uma visão comum sobre a vida e a estética”, conta Eva. Assim nasceu GRACE, a exposição que não é apenas uma mostra de obras – escultura e pintura, mas uma experiência sensorial numa ligação entre arte e território em plena Herdade da Malhadinha Nova, no coração do Alentejo.
Desse encontro, Eva Claessens chegou a uma série de obras inéditas em mármore branco e bronze, materiais que dialogam com a luz natural do Alentejo e com a textura da paisagem, e onde o mármore, com a sua pureza silenciosa, contrasta com os fardos de palha no anfiteatro natural da instalação desenhada por Manuel Aires Mateus. “Não preciso de ver, preciso de sentir. Trabalho com música e luz de velas. As esculturas são interpretações de sentimentos, não cópias da realidade”, explica a artista.
A inauguração, marcada por um jantar intimista ao ar livre, juntou a arte de Eva às artes da Malhadinha, a arte de cozinhar, a arte de viver, a arte de criar, a arte de fazer vinho. Marcámos uma conVERSA com Rita Soares, CEO da Herdade da Malhadinha.
Como nasceu e como foi pensado este projeto com a Eva?
Nasceu a partir de um encontro. Eu e o João visitámos a casa e o atelier da Eva, no Sul de França, após um convite para jantarmos num espaço lindo e muito inspirador. Deste encontro nasceu uma amizade. A Eva visitou depois a Malhadinha e sentiu que fazia sentido desenhar algumas obras para habitarem e serem partilhadas no espaço que também serviu de inspiração. E assim aconteceu: de uma forma muito natural e orgânica.
De que formas a Malhadinha inspirou o trabalho criativo da artista?
A natureza da Malhadinha, sendo um espaço tão grande, preservado e diverso, foi sem dúvida o principal ponto de inspiração. Para além disso, os valores que partilhamos e a nossa filosofia de vida serviram de mote para o seu trabalho.
A Malhadinha tem-se afirmado como ponto de encontro entre arte, natureza e hospitalidade de luxo… Que lugar tem a arte na estratégia?
Sempre presente. Sempre fez e faz parte da nossa estratégia. Acredito na arte como uma forma de perpetuar o que criamos, de criar raízes profundas e de deixar um legado para as próximas gerações. Cito frequentemente uma frase que me guia: “Não existe luxo sem cultura.”
Junta arte, alojamento e gastronomia no mesmo lugar. Acaba por ser esta a fórmula através da qual a Malhadinha se diferencia?
Acaba por ser a fórmula natural da Malhadinha. Ser aquilo que sonhámos há 27 anos: um lugar de partilha.
Encontrou o seu território e um lugar muito único? Até pela forma como ajudam a valorizar a região?
Sem dúvida que o fazemos com esse sentido. A região tem uma riqueza natural imensa e uma herança cultural que deve ser respeitada e preservada. É isso que procuramos fazer todos os dias.
Depois de Grace, podemos esperar que a arte continue a ter um papel central no futuro da Herdade da Malhadinha Nova?
Podem sempre esperar arte na Malhadinha, através das mais variadas formas. A cultura faz parte da nossa identidade e a Malhadinha é uma forma de a divulgar.
Que próximos sonhos ou projetos culturais pode partilhar?
Temos vários projetos para o futuro: concertos, exposições... Em fevereiro, por exemplo, vamos receber na Malhadinha, no Dia dos Namorados, um grande artista do nosso concelho e uma enorme referência da música: o António Zambujo. Antes disso, teremos ainda uma surpresa integrada na experiência de Fim de Ano, mas não posso revelar mais, porque os nossos hóspedes ainda não sabem.
