Herdade da Malhadinha Nova | Fotografia: David De Vleeschauwer
Design e Artes

Na Herdade da Malhadinha Nova, "não há luxo sem cultura"

Na Herdade da Malhadinha Nova, a arte nunca é visitante, é parte do lugar que visitamos. GRACE, a exposição de Eva Claessens, apresenta a beleza numa moldura de profunda ligação ao território. Rita Soares guia-nos pela forma como a arte, a arquitetura, a gastronomia, o vinho e a hospitalidade são pensados como expressões culturais que dialogam com o Alentejo.

Há encontros que acontecem sem uma intenção, mas acontece que, em alguns, se pode encontrar uma intenção. Aconteceu entre Eva Claessens e Rita e João Soares. Aconteceu a linguagem artística da escultora belga encontrar na Herdade da Malhadinha Nova uma afinidade natural: no espaço, na luz, na filosofia. “Partilhámos uma refeição e descobrimos uma visão comum sobre a vida e a estética”, conta Eva. Assim nasceu GRACE, a exposição que não é apenas uma mostra de obras – escultura e pintura, mas uma experiência sensorial numa ligação entre arte e território em plena Herdade da Malhadinha Nova, no coração do Alentejo.

Desse encontro, Eva Claessens chegou a uma série de obras inéditas em mármore branco e bronze, materiais que dialogam com a luz natural do Alentejo e com a textura da paisagem, e onde o mármore, com a sua pureza silenciosa, contrasta com os fardos de palha no anfiteatro natural da instalação desenhada por Manuel Aires Mateus. “Não preciso de ver, preciso de sentir. Trabalho com música e luz de velas. As esculturas são interpretações de sentimentos, não cópias da realidade”, explica a artista.

A inauguração, marcada por um jantar intimista ao ar livre, juntou a arte de Eva às artes da Malhadinha, a arte de cozinhar, a arte de viver, a arte de criar, a arte de fazer vinho. Marcámos uma conVERSA com Rita Soares, CEO da Herdade da Malhadinha.

Como nasceu e como foi pensado este projeto com a Eva?

Nasceu a partir de um encontro. Eu e o João visitámos a casa e o atelier da Eva, no Sul de França, após um convite para jantarmos num espaço lindo e muito inspirador. Deste encontro nasceu uma amizade. A Eva visitou depois a Malhadinha e sentiu que fazia sentido desenhar algumas obras para habitarem e serem partilhadas no espaço que também serviu de inspiração. E assim aconteceu: de uma forma muito natural e orgânica.

De que formas a Malhadinha inspirou o trabalho criativo da artista?

A natureza da Malhadinha, sendo um espaço tão grande, preservado e diverso, foi sem dúvida o principal ponto de inspiração. Para além disso, os valores que partilhamos e a nossa filosofia de vida serviram de mote para o seu trabalho.

A Malhadinha tem-se afirmado como ponto de encontro entre arte, natureza e hospitalidade de luxo… Que lugar tem a arte na estratégia?

Sempre presente. Sempre fez e faz parte da nossa estratégia. Acredito na arte como uma forma de perpetuar o que criamos, de criar raízes profundas e de deixar um legado para as próximas gerações. Cito frequentemente uma frase que me guia: “Não existe luxo sem cultura.”

Junta arte, alojamento e gastronomia no mesmo lugar. Acaba por ser esta a fórmula através da qual a Malhadinha se diferencia?

Acaba por ser a fórmula natural da Malhadinha. Ser aquilo que sonhámos há 27 anos: um lugar de partilha.

Encontrou o seu território e um lugar muito único? Até pela forma como ajudam a valorizar a região?

Sem dúvida que o fazemos com esse sentido. A região tem uma riqueza natural imensa e uma herança cultural que deve ser respeitada e preservada. É isso que procuramos fazer todos os dias.

Depois de Grace, podemos esperar que a arte continue a ter um papel central no futuro da Herdade da Malhadinha Nova?

Podem sempre esperar arte na Malhadinha, através das mais variadas formas. A cultura faz parte da nossa identidade e a Malhadinha é uma forma de a divulgar.

Que próximos sonhos ou projetos culturais pode partilhar?

Temos vários projetos para o futuro: concertos, exposições... Em fevereiro, por exemplo, vamos receber na Malhadinha, no Dia dos Namorados, um grande artista do nosso concelho e uma enorme referência da música: o António Zambujo. Antes disso, teremos ainda uma surpresa integrada na experiência de Fim de Ano, mas não posso revelar mais, porque os nossos hóspedes ainda não sabem.

Coolhunting

As botas de Cláudia Vieira são a prova de que 2026 se veste deste estampado

As botas de Cláudia Vieira podem ser o primeiro sinal do regresso de um padrão esquecido. Adivinhas qual?

Design e Artes