A hipertensão arterial (HTA) é uma doença prevalente. A nível mundial, estima-se que cerca de 34% da população adulta tenha esta patologia e em Portugal esta percentagem ainda é maior, atingindo mais de 41%. A HTA tem um grande impacto na saúde cardiovascular, mantendo-se globalmente, como o principal fator de risco modificável para as doenças cérebro-cardiovasculares como o acidente vascular cerebral, enfarte agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca, contribuindo para o aumento da mortalidade e morbilidade.
A definição de HTA varia entre as recomendações internacionais. As orientações europeias consideram HTA valores em consulta ≥140/90mmHg. No entanto, valores >120/70mmHg já são classificados como Pressão Arterial Elevada, traduzindo-se num aumento do risco cardiovascular individual. A maior parte das pessoas deve almejar valores <120/70mmHg - normotensão. As diretrizes americanas usam um limiar mais baixo, definindo HTA com valores ≥130/80mmHg. Esta diferença influência quantas pessoas são classificadas como hipertensas, mas o objetivo clínico é comum: reduzir o risco de complicações a longo prazo, e ter uma pressão arterial tão baixa quanto razoavelmente alcançável, ou seja, sem sintomas de hipotensão ortostática, tonturas ou “fraqueza”.
Esta doença é silenciosa, pode não causar sintomas durante muito tempo. Quando existem, estes podem ser inespecíficos (cefaleias, irritabilidade, palpitações ou mal-estar geral). Por isso, o diagnóstico deve basear-se na conjugação de medições no consultório e no exterior, utilizando a Monitorização Ambulatória da Pressão Arterial (MAPA) e medições realizadas pelo próprio utente (registo no domicílio). Desta forma é possível diagnosticar mais pessoas e detetar situações como a “hipertensão mascarada” (valores normais no consultório, mas elevados no dia-a-dia) e a hipertensão de “bata branca” (HTA no consultório, mas medições normais no quotidiano).
A prevenção deve iniciar-se precocemente e incidir sobretudo no estilo de vida. A atividade física regular é uma das medidas mais eficazes. É importante escolher uma atividade da qual a pessoa retire prazer, seja ela caminhar, correr, pedalar, nadar ou outra, e realizá-la de forma consistente, cumprindo a meta estipulada dos 150 a 300 minutos/semana. A atividade aeróbica deve ser complementada com treino de flexibilidade e de força. A par disso, é crucial reduzir o sal ou substituí-lo por sal enriquecido com potássio (já que este último tem menos cloreto de sódio), manter o peso controlado, privilegiar uma alimentação rica em legumes, frutas e fibras, reduzir ou eliminar o álcool, reduzir o açúcar, não fumar e dormir adequadamente.
Quando estes cuidados não são suficientes, o tratamento deve incluir medicação anti-hipertensora, monitorização médica e controlo da adesão ao tratamento farmacológico e não farmacológico.
