Lucía trocou Madrid por uma aldeia com 9 habitantes e só gasta 50 euros em compras
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Rafaela Simões
- 5 jul, 00:38
Uma jovem de 27 anos trocou a vida dinâmica em Madrid por uma pequena aldeia sem nada. O objetivo? Tornar-se autossuficiente e combater a desertificação das aldeias espanholas.
A vida de Lucía Vázquez numa pequena aldeia da Galiza
Conhece Fernando, o único habitante de uma aldeia em Espanha
Com o ritmo acelerado da vida moderna, cresce o número de pessoas que procuram uma existência mais simples, próxima da natureza, sem trânsito ou horários de escritório. A história de Lucía Vázquez é um exemplo dessa tendência: aos 27 anos, deixou Madrid para começar uma nova vida numa pequena aldeia da Galiza com apenas nove habitantes, onde está a recuperar uma casa centenária e a construir um projeto de vida baseado na autossuficiência.
Depois de anos a estudar permacultura e a trabalhar para juntar dinheiro, decidiu seguir a intuição e procurar um lugar onde pudesse viver de forma mais simples e sustentável e de acordo com os seus valores, como relata no canal de YouTube e no Instagram. Foi assim que chegou a Froufe, uma pequena aldeia no concelho de O Irixo, em Ourense, e bastou uma visita para ter a certeza de que aquele seria o seu futuro.
"Foi chegar aqui e sentir um impulso, como se o meu coração dissesse: é aqui que vais ficar", recordou numa entrevista ao canal de YouTube @hilux_aventura.
Na aldeia encontrou uma casa com mais de cem anos, praticamente abandonada, e decidiu devolver-lhe a vida. Sem experiência profissional na construção, assumiu praticamente sozinha a recuperação da habitação, respeitando ao máximo os materiais e a arquitetura original. Sempre que possível, reutiliza portas, vigas e madeiras provenientes de outras casas devolutas, numa filosofia que resume de forma simples: no campo, mais importante do que comprar é saber produzir e reaproveitar.
O objetivo de Lucía vai muito além da reabilitação da casa. O sonho passa por viver de forma cada vez mais autossuficiente, adquirindo apenas produtos que não consegue produzir, como arroz ou azeite. Por isso, cultiva uma horta, cuida de galinhas e coelhos e pretende, no futuro, aumentar a produção agrícola e criar vacas.
Atualmente, refere que a maior despesa mensal ronda os €150, destinados sobretudo aos animais, enquanto os gastos com a própria alimentação ficam perto dos €50 graças ao que produz na horta e ao que recolhe da natureza.
Lucía não esconde que sentia mais receio de permanecer em Madrid do que isolada numa aldeia, porque a precariedade, o custo de vida e o ritmo da cidade eram fontes de maior insegurança do que aprender a reparar um telhado ou instalar um sistema elétrico numa casa antiga. Hoje diz sentir-se integrada na comunidade, onde todos se conhecem e se ajudam, contrastando com o anonimato que vivia na capital espanhola.
E a principal vantagem é que, desta forma, está a combater a desertificação das aldeias espanholas, um fenómeno que continua a marcar muitas regiões rurais. Ao recuperar uma casa abandonada e ao escolher viver permanentemente numa aldeia quase despovoada, pretende mostrar que estes lugares ainda podem ter futuro, sobretudo se atraírem novas gerações dispostas a investir tempo, trabalho e criatividade.
O percurso da jovem tem sido acompanhado nas redes sociais, onde partilha o dia a dia da obra, da horta e dos animais, inspirando milhares de pessoas que sonham com uma vida diferente.
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