"A casa estava literalmente a desmoronar-se": mudaram tudo e hoje guardam "ouro" português neste alojamento
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Rafaela Simões
- 11 jul, 02:11
Alan e Vicent queriam fugir do ritmo intenso de Londres e encontraram no Alentejo o seu refúgio. Mais do que construir um alojamento local, produzem um dos melhores azeites.
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Nos últimos anos, Portugal tem conquistado um lugar de destaque no mapa de quem procura muito mais do que um novo endereço. O país tornou-se um destino de eleição para milhares de estrangeiros que decidiram trocar as grandes cidades por uma vida mais próxima da natureza, sendo esse o caso do norte-americano Alan Andrew, natural da Pensilvânia, nos EUA, e do belga Vincent Proost.
O casal abandonou Londres para se fixar no Alentejo e transformou uma quinta abandonada numa exploração agrícola regenerativa onde produzem azeite biológico premiado e sonham criar um centro dedicado à cerâmica e à escultura.
A história de Alan e Vicent foi destacada pela CNN Internacional, que falou com o casal sobre esta mudança de vida que tem Portugal como protagonista.
Quando começaram a procurar uma casa no sul da Europa, Alan Andrew, psicólogo educacional, e Vincent Proost, designer de interiores, tinham um objetivo simples: encontrar um refúgio para escaparem ao ritmo intenso de Londres, cidade onde viviam há quase duas décadas.
Curiosamente, Portugal nem sequer era a primeira opção. "Para ser honesto, eu estava mais interessado num lugar como Itália. Não conhecia bem Portugal", confessou Alan Andrew à CNN.
Tudo mudou depois de várias viagens pelo país. O casal acabou por se apaixonar pela paisagem do Alentejo, que Alan descreve como "uma mistura entre a savana africana e a Toscana", onde "em qualquer direção há sempre uma vista bonita".
Foi ali, na pequena aldeia de Figueira e Barros, que encontraram uma quinta abandonada há cerca de 50 anos. O plano inicial era recuperar a habitação existente, mas rapidamente perceberam que isso seria impossível.
"A casa estava literalmente a desmoronar-se. Sabíamos que teria de ser construída de raiz."
O que deveria ser apenas uma casa de férias transformou-se num projeto de vida e uma aventura em plena pandemia, depois de comprarem a propriedade em 2019.
Com confinamentos e atrasos na construção, o processo complicou-se e tiveram, no início, de abandonar a casa que tinham arrendado e, durante duas semanas, viveram numa tenda na própria propriedade, antes de conseguirem instalar-se no antigo celeiro, ainda sem eletricidade.
Apesar das dificuldades, nunca pensaram desistir. Enquanto esperavam que a construção avançasse, dedicaram-se aos cerca de 30 hectares da propriedade, onde existem aproximadamente 1.500 oliveiras, além de galinhas e ovelhas.
Tiveram, para isso, de aprender agricultura do zero e foi graças à ajuda de um produtor português que aprenderam a podar oliveiras, cuidar da terra e produzir azeite.
Hoje, a quinta segue práticas de agricultura regenerativa certificada como biológica, privilegiando a recuperação dos solos e a biodiversidade e o resultado desse trabalho já foi reconhecido internacionalmente: o azeite produzido pelo casal conquistou distinções em concursos especializados, entre eles o London International Olive Oil Competition e o New York International Olive Oil Competition em 2025.
No Instagram, onde partilham o quotidiano da propriedade, apresentam-se como uma "quinta regenerativa de azeite biológico no Alentejo" e revelam também o próximo objetivo: criar um espaço dedicado à cerâmica e à escultura, unindo arte e natureza.
Então... e o que é feito da ruína construída do zero?
A antiga ruína deu lugar à Casa Baio, uma habitação contemporânea construída de acordo com as regras urbanísticas locais e pensada para respeitar a identidade da região.
O edifício utiliza aquecimento solar de águas, painéis fotovoltaicos, isolamento térmico eficiente e incorpora materiais tradicionais, como azulejos artesanais de barro e mármore local. Com cinco quartos, piscina e um antigo celeiro transformado em casa de apoio, a propriedade funciona também como alojamento turístico, com uma das melhores vistas sobre o Alentejo.
Se a paisagem conquistou o casal, o mesmo se pode dizer das pessoas, que fizeram Alan e Vincent sentirem-se verdadeiramente em casa.
"Os portugueses são extremamente abertos. Dois homens gays a viver numa quinta no interior de Portugal? Não houve qualquer problema."
Mas nem tudo nesta história é um mar de rosas. Alan foi diagnosticado com uma doença cardíaca rara que o impede de continuar a realizar grande parte do trabalho físico exigido pela exploração agrícola, e o casal teve, por isso, de colocar a propriedade à venda.
Apesar da desilusão, Alan e Vicent garantem que não mudariam nada e que estão ansiosos pela próxima aventura.
"A vida é curta. Nunca sabemos o que vai acontecer ao virar da esquina."
Mostramos a casa com as melhores vistas na galeria de imagens.
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