Venderam a casa, ficaram com 590 euros na conta e deram nova vida a caravanas abandonadas
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Rafaela Simões
- 21 jul, 10:45
Eras capaz de largar tudo para viver num parque de caravanas abandonado? Este casal não pensou duas vezes e os resultados do projeto Camp Out West estão à vista.
Jon e Emilie largaram tudo para transformar um parque de caravanas abandonado
A história da mulher que mantém uma padaria aberta há mais de 50 anos no Japão
Cada vez mais pessoas estão a questionar o modelo tradicional de vida, marcado por empréstimos bancários de longa duração e casas que são uma prisão a partir do momento de compra. Em contrapartida, cresce o interesse por estilos de vida mais simples, sustentáveis e próximos da natureza. As chamadas tiny houses, casas muito pequenas, projetadas para aproveitar ao máximo o espaço, deixaram de ser uma tendência de nicho para se transformarem numa verdadeira inspiração para quem procura viver com menos, mas melhor.
É ai que entra a história de Jon e Emilie James, um casal britânico que decidiu trocar a segurança de uma casa convencional por um enorme desafio: recuperar, com as próprias mãos, um parque de caravanas abandonado no País de Gales. E não guardaram esta jornada só para si, têm partilhado tudo nas redes sociais, YouTube e Instagram, através do projeto Camp Out West.
Mas como é que tudo começou?
Em junho de 2022, Jon, de 36 anos, e Emilie, de 37, venderam a sua casa por 132 mil libras (cerca de 155 mil euros à taxa de câmbio atual). Em vez de comprarem outra habitação, investiram 90 mil libras (pouco mais de 100 mil euros) na aquisição de um parque de caravanas com cerca de 1,2 hectares, abandonado desde 1989 e transformado numa lixeira a céu aberto, depois de em tempos ter servido de alojamento para mineiros de carvão da região.
Depois da compra, sobravam-lhes apenas 500 libras (cerca de 590 euros) na conta bancária. Ainda assim, o casal sentia que tinha conquistado algo muito mais valioso: um terreno próprio, livre de hipotecas e da perspetiva de passar décadas a pagar prestações ao banco.
Quando chegaram ao parque, Jon e Emilie depararam-se com três velhas caravanas cheias de lixo, vegetação descontrolada e anos de abandono. Foram precisos meses de trabalho intenso apenas para limpar o terreno e torná-lo novamente utilizável.
Enquanto davam contam do trabalho, ao longo de três anos Jon e Emilie viveram numa caravana com 25 anos, afetada por bolor e sem frigorífico, congelador ou água canalizada no interior. Tinham apenas um chuveiro exterior e utilizavam uma sanita de campismo que precisava de ser esvaziada manualmente. No inverno, as temperaturas eram tão baixas que as canalizações congelavam durante semanas, chegando a ficar dois meses sem água. Nessas alturas, passavam três ou quatro dias sem tomar banho ou pagavam cinco libras para utilizar os balneários do centro comunitário e do ginásio local.
Nas redes sociais, muitos duvidaram da veracidade da história, sugerindo que o casal viveria, na realidade, numa casa confortável nas proximidades. Jon e Emilie responderam sempre com transparência, explicando que optaram conscientemente por abdicar do conforto imediato para construir um futuro mais sustentável e independente.
Aprender do zero e construir um sonho
Sem qualquer experiência na área da construção, Jon e Emilie recorreram a tutoriais no YouTube para aprender praticamente tudo o que precisavam de saber. Foi assim que instalaram painéis solares, aplicaram revestimentos em madeira e executaram grande parte das obras por conta própria.
Ao longo de três anos investiram mais cerca de 43 mil libras (aproximadamente 50 mil euros) das suas poupanças na recuperação do espaço. O resultado foi surpreendente: para além de melhorias no terreno, uma velha caravana degradada deu lugar a uma moderna tiny house projetada para ser a habitação do casal, equipada com soluções sustentáveis e até uma sauna em barril aquecida a lenha.
Enquanto desenvolviam o projeto, continuaram a trabalhar a tempo inteiro como fotógrafos profissionais e geriram, em simultâneo, um pequeno negócio artesanal de produção de velas, que ajudou a financiar as obras.
Depois de anos de trabalho, Jon e Emilie estão agora cada vez mais próximos de concretizar o objetivo que os levou a mudar de vida: criar um parque de campismo off-grid, totalmente integrado na natureza. Quando abrir ao público, o espaço contará com uma tenda de glamping disponível durante o verão, uma carrinha adaptada para alojamento acessível e várias parcelas destinadas a autocaravanas, proporcionando uma experiência tranquila em contacto com a natureza.
E os planos não ficam por aqui. O casal pretende ainda criar oficinas artesanais onde possam organizar eventos comunitários, formações e workshops, incluindo cursos de fabrico manual de velas, uma das suas paixões.
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