Pedro e Lucía têm a mesma profissão. Apenas uma geração separa pai e filha
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Rafaela Simões
- 12 jul, 04:37
A aviação é palco de histórias em que a vocação atravessa gerações. É o caso de Pedro e Lucía Sánchez, que seguiram o mesmo caminho.
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Durante décadas, era comum ver negócios passarem de pais para filhos: a mercearia, a oficina, a padaria. Hoje, essa herança estende-se muito para lá do comércio tradicional. Há médicos que inspiram filhos a seguir Medicina, professores que veem uma nova geração entrar nas salas de aula, e profissionais da aviação que descobrem, dentro da própria família, o primeiro contacto com uma vocação.
É precisamente essa a história de Pedro e Lucía Sánchez, contada pelo jornal espanhol La Vanguardia. Pai e filha trabalham na mesma companhia aérea, a Vueling, embora pertençam a gerações diferentes.
Pedro é comandante e soma mais de duas décadas de carreira na companhia. Lucía iniciou recentemente o seu percurso como copiloto, estando na companhia há 2 anos. Durante muito tempo, foi ela quem ouvia, em casa, as histórias que o pai trazia de cada voo. Hoje, os papéis começam a inverter-se: também regressa a casa com novas experiências para contar.
Contudo, Lucía garante que a profissão nunca lhe foi imposta. Afirma que a escolha foi sua e nunca ficou com uma ideia romântica da profissão.
Uma das recordações de que ambos mais gostam aconteceu quando ela ainda era criança e o acompanhou, pela primeira vez, na cabine. Pedro escolheu um voo às cinco da manhã, precisamente para lhe mostrar o lado menos visível da aviação. Queria que percebesse que o trabalho de um piloto começa muito antes da descolagem e implica horários exigentes, disciplina e responsabilidade.
Com o passar dos anos, essa experiência acabou por reforçar a relação entre ambos. "Agora vivo as mesmas situações e compreendo muito melhor aquilo que o meu pai me explicava", conta Lucía. Pedro admite sentir um enorme orgulho ao vê-la seguir a mesma profissão, embora recorde que, quando soube da decisão, viveu sentimentos contraditórios. "Foi uma mistura de orgulho e responsabilidade, porque sei bem aquilo que esta carreira exige."
Mas o choque de gerações é real. Enquanto Pedro começou numa época em que muitos procedimentos eram feitos em papel e a automatização era bastante menor, hoje Lucía tem acesso a métodos que recorrem à tecnologia para a operação em cabine.
Há, ainda assim, um objetivo por cumprir: realizar um voo juntos, na mesma cabine. Pedro diz que esse será mais um sonho por concretizar.
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