Ricardo Abellán
Ricardo Abellán | Fotografia: Instagram @domby_domotica
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Ricardo escolheu a área que mais precisa de trabalhadores. Mas será que o ordenado ultrapassa os 2 mil euros?

Há profissões que carecem de profissionais e não é por falta de formação. Que o diga Ricardo Abellán, que tenta chamar mais pessoas para a sua área.

Ricardo Abellán é eletricista e alerta para falta de profissionais na área

Conhece Carolina Marrero, uma eletricista espanhola

Em Portugal, assim como noutros pontos da Europa, tem-se tornado gritante a falta de profissionais em áreas ligadas à construção e aos ofícios especializados, como eletricistas, canalizadores ou pedreiros. 

O eletricista Ricardo Abellán, de 38 anos, é um dos poucos profissionais que resiste, tendo vindo a notar uma escassez de mão de obra especializada preocupante. "Temos um problema grave com os ofícios: eletricistas, pedreiros, canalizadores... não há", afirma.

Segundo Ricardo, os clientes que o contactam relatam que não conseguem encontrar um profissional disponível e, como consequência, a sua agenda está preenchida durante semanas e, por vezes, é obrigado a recusar novos trabalhos por não conseguir dar resposta a todos os pedidos.

O mais curioso, na sua opinião, é que esta situação não resulta da falta de formação. Pelo contrário. Ricardo acredita que existem hoje mais pessoas qualificadas do que nunca para exercer estas profissões. Ainda assim, considera que existe um desfasamento entre a formação disponível e a vontade de trabalhar nestes sectores.

Na sua perspetiva, o problema passa sobretudo pela falta de interesse em seguir carreiras ligadas aos ofícios tradicionais, apesar de continuarem a ser essenciais para o funcionamento do dia a dia. A renovação geracional não está a acontecer ao ritmo necessário, havendo somente algumass exceções, como Carolina Marrero, eletricista venezuelana de 29 anos, que ganha mais de 2 mil euros por trabalho. Mas essa não é a realidade geral. 

Pequenas empresas e pelos trabalhadores independentes enfrentam dificuldades económicas, uma vez que a elevada carga fiscal limita a capacidade de oferecer salários mais competitivos, tornando ainda mais difícil atrair novos profissionais para o sector.

Como se tudo isto não bastasse, há uma concorrência desleal. porque muitos trabalhadores que prestam serviços não estão devidamente legalizados, conseguindo praticar preços muito inferiores aos de quem cumpre todas as obrigações fiscais e legais. .

Além disso, Ricardo considera que a entrada de grandes empresas no mercado veio alterar significativamente as regras do jogo. Algumas conseguem apresentar propostas com preços centenas de euros abaixo dos praticados pelos pequenos profissionais, tornando difícil acompanhar essa concorrência.

Perante este cenário, a história de Ricardo ilustra um problema que vai muito além de um único eletricista. A falta de profissionais qualificados nos ofícios especializados continua a aumentar, ao mesmo tempo que cresce a procura pelos seus serviços. O resultado é um mercado sob forte pressão, com tempos de espera mais longos para os clientes e desafios cada vez maiores para quem exerce estas profissões de forma regular e legal.

Ricardo Abellán esforça-se por incentivar mais profissionais a juntar-se à área e usa as redes sociais para o efeito. Por lá, assume o papel de formador, explicando procedimentos e termos técnicos do ramo da eletricidade. 

 

 

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