Percebeu que havia falta de trabalhadores, mudou de vida e agora pode ganhar mais de 6 mil euros
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Rafaela Simões
- 3 ago, 17:46
A história de Pablo mostra que nem sempre as áreas mais óbvias são aquelas nas quais se ganha melhor. Na Noruega foi onde encontrou a sua oportunidade.
A escassez de profissionais qualificados está a transformar diversos setores e a abrir portas a trabalhadores estrangeiros. Da construção à indústria, muitos países europeus enfrentam dificuldades em encontrar mão de obra especializada para responder às necessidades do mercado. A Noruega é um desses exemplos. Por isso, Pablo González foi para lá à procura da sua oportunidade.
O pedreiro espanhol vive e trabalha na Noruega há sete anos e é através do YouTube que tem partilhado a sua experiência no setor da construção.
Segundo explica, o maior desafio da construção na Noruega não é a falta de investimento, mas sim a ausência de trabalhadores qualificados. "Não há mão de obra. Há dinheiro, mas não há mão de obra qualificada de nacionalidade norueguesa e isso faz com que seja necessário recorrer a profissionais qualificados estrangeiros", afirma num dos vídeos da rede social.
Na sua opinião, esta realidade resulta do crescimento contínuo da procura por serviços de construção, impulsionado sobretudo pela necessidade de criar mais habitação. Como o número de profissionais locais não consegue acompanhar esse aumento da procura, o país continua dependente de trabalhadores vindos do exterior.
E é este cenário que explica o salário de Pablo.
Quanto ganha um pedreiro na Noruega?
Ao contrário do que acontece em muitos países, a Noruega não tem um salário mínimo nacional. Em vez disso, existem valores mínimos definidos por setor e pagos à hora.
De acordo com Pablo González, um trabalhador especializado na construção tem direito a um salário mínimo de 209 coroas norueguesas por hora, o equivalente a cerca de €20 por hora. Já quem não possui uma especialização recebe, no mínimo, 188 coroas por hora, aproximadamente €18.
Mesmo quem está a dar os primeiros passos na profissão beneficia de condições competitivas. Um trabalhador sem experiência, ou com cerca de um ano de atividade, pode receber cerca de 196 coroas por hora, perto de €19.
Pablo faz, no entanto, um esclarecimento importante: estes valores correspondem ao salário bruto. "É preciso descontar cerca de 30% para impostos", explica, pelo que o salário líquido corresponde, em média, a cerca de 70% do valor recebido.
Os rendimentos aumentam significativamente à medida que cresce a responsabilidade. Segundo o pedreiro espanhol, os cargos de direção na construção podem atingir cerca de 62 mil coroas brutas por mês, aproximadamente 6.200 euros.
Já funções intermédias, como diretor de obra, engenheiro, arquiteto ou geólogo, apresentam salários que variam entre os 6 mil euros e os 6.400 euros brutos mensais.
Noutras profissões do setor, os valores também são atrativos. Um pintor pode ganhar cerca de 3.600 euros brutos por mês, um carpinteiro entre 3.600 e 4.600 euros, enquanto canalizadores e operadores de máquinas rondam os 4.100 euros mensais. Os operadores de grua podem chegar aos 4.300 euros brutos por mês.
Horários que privilegiam a qualidade de vida
Além dos salários, Pablo destaca o equilíbrio entre vida laboral e pessoal.
"Se se trabalha de segunda a sexta-feira, por norma geral o horário é das 8h às 16h", explica. A jornada semanal ronda as 37 horas e meia e, segundo refere, todas as horas extraordinárias são remuneradas "muito acima do valor da hora normal".
A flexibilidade é outro dos aspetos que mais surpreende. Há equipas que optam por concentrar mais horas entre segunda e quinta-feira para terem a sexta-feira livre, permitindo um fim de semana prolongado. Esta solução é especialmente útil para trabalhadores que vivem longe da obra.
Existe ainda um modelo muito utilizado no país, conhecido como sistema "12-9". Neste regime, os trabalhadores cumprem 12 dias consecutivos de trabalho e depois usufruem de nove dias de descanso. "É especialmente importante para os estrangeiros", sublinha Pablo, uma vez que lhes permite viajar com maior frequência para os seus países de origem.
No final, o pedreiro resume a sua experiência de forma simples: "Há muita flexibilidade no setor da construção e, para quem quiser fazer horas extra, elas são muito bem pagas."
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