Vender 40 menus por dia não chega: a história de uma mulher que luta para manter o restaurante
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Rafaela Simões
- 30 jul, 20:20
Servir dezenas de refeições por dia pode parecer sinónimo de um negócio lucrativo, mas a realidade no restaurante de María prova o contrário. As contas nem sempre são tão simples.
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Há profissões em que o esforço investido está longe de se refletir no salário ao final do mês. Entre horários prolongados, custos crescentes e margens cada vez mais reduzidas, muitos pequenos empresários trabalham mais de dez horas por dia para obter um rendimento que está longe de compensar o desgaste. A restauração é um dos setores no qual esta realidade se faz sentir com maior intensidade.
É precisamente essa realidade que María, proprietária de um bar restaurante em Espanha, deu a conhecer no programa Equipo de investigación do canal La Sexta, a propósito de uma rubrica sobre bares em extinção.
María e o seu sócio, José, servem cerca de 40 menus diários, cada um vendido por €12. À primeira vista, o volume de vendas parece suficiente para garantir um bom rendimento. No entanto, as contas contam outra história.
Segundo a proprietária, cada menu custa aproximadamente €8 a produzir. "O menu custa-me cerca de €8, depois até aos €12 é que está a margem. Não sobra mais", explica. Ou seja, a diferença entre o preço de venda e o custo de produção é bastante reduzida, deixando pouco espaço para absorver todas as restantes despesas do negócio.
Ainda assim, o restaurante procura manter uma oferta variada. "O menu tem sete primeiros pratos e sete segundos [pratos]", refere María. Entre as opções disponíveis encontram-se paelha mista, arroz, ovos mexidos da casa e massa gratinada, tudo incluído num menu de €12.
Mas o verdadeiro desafio do bar está nas despesas fixas, que continuam a subir. Todos os meses, o restaurante gasta cerca de €2.500 em matérias-primas e a estes somam-se cerca de €600 em eletricidade, mais €90 em água e até €200 em gás.
Para conseguir controlar os custos, María vê-se obrigada a tomar decisões difíceis. Um exemplo é a compra de cogumelos congelados em vez de frescos. "Se os comprar frescos são muito caros", admite. Também mostra uma fatura de €98 relativa apenas a uma entrega diária de peixe, demonstrando como o custo dos ingredientes pesa significativamente nas contas.
Para controlar as contas, María e José asseguram praticamente todo o funcionamento do espaço sem recorrer a mais funcionários, uma opção motivada pelos elevados encargos laborais.
"É complicado manter um empregado. Entre impostos e salários, acaba por ser demasiado pesado. Por isso, sou eu que estou na cozinha. Não posso parar; se parar, não consigo dar conta do trabalho", afirma.
O dia começa antes das 08h e termina apenas depois das 19h, numa rotina marcada por longas horas de trabalho e poucas pausas.
E no fim? Apenas €1.500 por mês para cada um dos sócios do restaurante bar.
Para a empresária, o futuro do tradicional menu do dia está em risco devido ao aumento contínuo dos custos. "O menu do dia vai acabar por desaparecer. Não tenho qualquer dúvida", lamenta.
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