Jill foi a primeira pessoa do mundo a nascer gestação de substituição | Fotografia: Instagram
Jill foi a primeira pessoa do mundo a nascer gestação de substituição | Fotografia: Instagram
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Esta mulher fez história no momento em que nasceu... e mudou o mundo

Este mês, a primeira pessoa do mundo a nascer através da gestação de substituição celebrou o 40.º aniversário. Conheces Jill Brand?

Hoje em dia, os casais que sofrem com problemas de infertilidade encontram várias alternativas na hora de começar uma família. Continua, claro, a ser um processo doloroso, demasiado complicado e que precisa de melhorias, mas há 40 anos não as opções eram ainda mais reduzidas... até ao nascimento de uma mulher que acabou por mudar o mundo.

Estamos a falar de Jill Brand, a primeira pessoa do mundo a nascer através da gestação de substituição, um processo em que "uma mulher, maior de 18 anos, se disponibiliza, de forma altruísta, a suportar a gravidez por outra mulher e a entregar a criança ao nascer ao casal beneficiário, renunciando aos poderes e deveres próprios da maternidade", esclarece a Associação Portuguesa de Fertilidade.

"É uma história de criatividade, perseverança, alguma ousadia, sorte e muito amor", contou a mulher norte-americana que celebrou, recentemente, o seu 40.º aniversário, numa entrevista à NBC News.

Jill na capa da revista Life em junho de 1987 | Fotografia: D.R.

Como tudo aconteceu...

Quando Sandy e Elliot Rudnitzky se casaram nunca pensaram que iam mudar o mundo. "Só queríamos um bebé", conta Sandy, num texto escrito na primeira pessoa e publicado na Hadassah Magazine, em abril de 2024.

Infelizmente, Sandy foi obrigada a remover as Trompas de Falópio, o que fez com que não conseguisse engravidar, mesmo assim experimentaram diferentes tratamentos e tecnologias inovadoras, na altura, mas nada resultou e acabaram por adotar duas meninas: Robyn e Michelle.

Depois de várias tentativas que não correram bem, o marido, médico cardiologista começou a pensar em mais alternativas. Foi aí que surgiu a ideia: "E se criássemos um embrião através da fertilização in vitro e recorrêssemos a uma barriga de aluguer?"

Começaram logo a entrar em contacto com diferentes especialistas para terem acesso a "uma lista de programas de fertilização in vitro" disponíveis nos Estados Unidos. "Elliot, um cardiologista, começou a ligar a médicos de todo o país por ordem alfabética", conta Sandy. 

Muitos ofereceram resistência, muitos questionaram a possibilidade de fazer isto, mas, finalmente, o casal chegou ao final da lista de contatos e ouviu um talvez de Wulf Utian, um médico especialista em obstetrícia e ginecologia. 

Sandy explica que o médico "concordou que a proposta era viável, mas precisava da aprovação do conselho de ética do hospital antes de se comprometer". Esse mesmo conselho precisou de falar com um rabino que aprovou a medida e, eventualmente, o conselho de ética também. 

Depois surgiram as dificuldades em encontrar uma barriga de aluguer, mas lá conseguiram e, depois, chegou o momento. Wulf Utian só conseguiu um óvulo viável, mas era um "óvulo lindo" e acabou por resultar, conta Sandy. 

Nove meses depois, a 13 de abril de 1986, nasceu Jillian, "a primeira bebé a nascer a partir de óvulos e espermatozoides dos pais biológicos, no útero de uma barriga aluguer".

Depois o casal submeteu "uma petição a um tribunal do Michigan para alterar a definição legal de maternidade". Ficou assim definido "a mãe é a mulher que fornece o material genético, e não a mulher que dá à luz", explica. 

Hoje em dia, Jill tem 40 anos, está casada tem três filhos pequenos e uma carreira de sucesso como executiva de marketing.

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