José tem 101 anos, não precisa de medicação e o segredo pode estar na sua profissão
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Rafaela Simões
- 24 mai, 05:32
Quando a barreira dos 100 anos é ultrapassada, questionamos: qual o segredo para tal longevidade? Talvez o possamos encontrar na história de José María Amador López Albo.
Viveiro, na Galiza, é a terra de Amador López, com 101 anos
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Por todo o mundo há histórias inspiradoras de pessoas que ultrapassam a barreira dos 100 anos com lucidez e autonomia, como é o caso da francesa Jeanne Calment, que viveu até aos 122 anos, tornando-se um símbolo global da longevidade. Dizia que o segredo estava no bom humor, no azeite e num copo de vinho ocasional. Mas Jeanne não é caso único.
Em Magazos, em Viveiro, na Galiza, há um homem que encaixa quase na perfeição nesse retrato. Chama-se José María Amador López Albo, um antigo guarda florestal que todos conhecem apenas por Amador.
Celebrou 101 anos a 19 de maio rodeado dos filhos, netos, bisnetos e dos seus pratos favoritos (entre eles empada de vieiras e lombo com batatas fritas) e continua a surpreender quem o rodeia: não toma qualquer medicação, tem apenas um pacemaker e mantém uma rotina diária ligada à terra e aos animais. A pergunta surge naturalmente: terá ele um dos segredos da longevidade? Talvez.
Amadeu foi guarda florestal de Viveiro durante 40 anos e reconhece que a ligação com a natureza durante toda a vida contribuiu para a sua saúde.
“A natureza das árvores dá muita saúde, a floresta dá vida. Cada vez que lá vou, volto renovado. Plantei muitíssimos hectares de floresta. Cheguei a ter sob a minha responsabilidade 25 homens e 30 mulheres a trabalhar", contou no ano passado ao La Voz de Galicia.
A alimentação de Amador também foge aos excessos modernos. Gosta sobretudo de legumes, ovos cozidos e peixe. Carne, quase nenhuma. Nunca fumou e bebe apenas ocasionalmente um pequeno copo de vinho. “Os vícios são a nossa ruína”, costuma dizer.
A rotina mantém-se igualmente disciplinada. Levanta-se por volta das 9h e deita-se entre as 22h e as 23h. Nada de medicamentos diários, dietas da moda ou fórmulas milagrosas. Apenas uma vida simples, ativa e próxima da natureza. Isso inclui passeios diários, tratar das galinhas e de um pavão que mantém em casa, assim como cuidar do jardim, arrancando ervas com a ajuda de uma bengala, já que a idade não lhe permite dobrar-se com facilidade.
Hoje, aos 101 anos, continua a viver em Magazos, a localidade onde passou praticamente toda a vida. Viúvo há mais de duas décadas, encontra na família e nos hábitos simples a estabilidade que muitos procuram durante toda a vida.
A ciência continua sem encontrar uma fórmula exacta para viver mais de um século. Mas histórias como a de José María Amador López Albo parecem reforçar uma ideia antiga: talvez a longevidade não dependa apenas da genética, mas também da forma como escolhemos viver os nossos dias: com menos pressa, menos excessos e mais ligação à natureza.
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Rafaela Simões
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