Há vídeos que emocionam pela simplicidade do gesto. Um braço que se levanta. Uma mão que aperta outra com força. Movimentos pequenos, quase banais para quem nunca os perdeu, mas absolutamente transformadores para quem ouviu um dia que talvez nunca mais se voltasse a mexer.
Foi isso que aconteceu com um jovem brasileiro de 24 anos que ficou tetraplégico após um mergulho numa cascata em Santa Leopoldina, no estado do Espírito Santo, Brasil. Até há pouco tempo, o acidente ditava uma sentença para a vida, mas hoje é o 5.º paciente a apresentar recuperação motora após um tratamento experimental inovador: a polilaminina.
A evolução aconteceu apenas 10 dias após a aplicação de uma única injeção do composto, administrada dentro da chamada janela terapêutica de 72 horas após o trauma, um período crítico em que o tempo ainda pode jogar a favor da ciência.
Segundo o médico Mitter Mayer, coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial da Polilaminina no Espírito Santo, não foi apenas a força que regressou. O jovem recuperou também sensibilidade até à altura do umbigo, onde antes “havia apenas ausência”, pode ler-se numa publicação de Instagram.
O que é, afinal, a polilaminina?
A polilaminina, segundo o National Library of Medicine (NLM), é uma versão recriada em laboratório da laminina, uma proteína fundamental no desenvolvimento embrionário, responsável por ajudar os neurónios a ligarem-se entre si.
O composto está a ser estudado há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, em parceria com o laboratório farmacêutico brasileiro Cristália, e o objetivo é ambicioso: regenerar lesões na medula espinhal.
Antes deste jovem, outros quatro pacientes já tinham apresentado melhorias significativas: o primeiro, um homem de 37 anos, que recuperou sensibilidade e contração muscular menos de 48 horas após a aplicação; o segundo apresentou movimentos no pé e sensibilidade parcial nas pernas; o terceiro, que voltou a andar; e o quarto, paraplégico, conseguiu mexer o pé.
E agora, com este jovem de 24 anos, a ciência volta a provar que pode mudar vida.
“Não como promessa, nem como milagre isolado, mas como resultado de ciência, método e coragem de tentar”, concluiu o médico Mitter Mayer.
A história foi divulgada nas redes sociais através de um vídeo que está a emocionar o mundo, no qual o médico pede ao jovem que levante o braço direito. Ele consegue. Depois o esquerdo. E ele consegue. O momento é comovente.
