Médico esclarece algumas das dúvidas mais comuns sobre HPV | Fotografia: Getty, John Madden
Médico esclarece algumas das dúvidas mais comuns sobre HPV | Fotografia: Getty, John Madden
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HPV? "É extremamente frequente" e "não significa promiscuidade, doença grave ou cancro", diz médico

Continuam a existir muitas ideias erradas sobre o Papilomavírus Humano, mais conhecido pela sigla HPV, mas podes esclarecer as dúvidas neste artigo assinado por Ricardo Moutinho Guilherme, médico de Medicina Geral e Familiar e de Medicina Estética na ClínicaLab (Cascais).

O HPV continua rodeado de muito medo, vergonha e desinformação. É essencial desmistificar alguns conceitos e não haverem julgamentos já preconcebidos.

O HPV é extremamente frequente. A maioria das pessoas vai contactar com o vírus ao longo da vida, muitas vezes sem saber. Ter HPV não significa promiscuidade, doença grave ou cancro.

Hoje em dia, o grande objetivo não é ter medo do HPV — é saber prevenir, vigiar e vacinar.

HPV significa Papilomavírus Humano, é um vírus muito comum, transmitido sobretudo por contacto íntimo/sexual. Existem mais de 100 tipos diferentes de HPV. Alguns causam verrugas e outros podem aumentar o risco de certos cancros.

Dr.º Ricardo Moutinho Guilherme

Existem subtipos de "baixo risco" — podem causar verrugas genitais.

E subtipos de “alto risco” — podendo causar cancro do colo do útero, ânus, pénis, vulva, vagina e orofaringe.

Ter HPV não significa automaticamente ter cancro. Na verdade, a maioria das infeções desaparece espontaneamente.

A infeção por HPV é uma das infeções sexualmente transmissíveis mais frequentes do mundo. Grande parte da população sexualmente ativa terá contacto com HPV. A grande maioria nunca terá sintomas, por isso muitas pessoas transmitem sem saber.

O vírus em si não tem um medicamento específico que o elimine imediatamente, mas, na maioria das pessoas, o próprio sistema imunitário consegue controlar e eliminar o vírus ao longo do tempo. Tratam-se as lesões/verrugas, se chegarem a aparecer, vigiam-se alterações celulares, sendo que a maioria resolve espontaneamente. Muitas pessoas tiveram HPV e nunca chegaram sequer a saber.

Há quem pense que uma vez com HPV, fica-se com HPV para sempre, mas não é assim. Em muitos casos, o organismo elimina o vírus naturalmente em meses. No entanto, algumas infeções persistem, sendo que essa persistência é o principal fator de risco. Daí a importância da vigilância.

O problema não é ter contacto com HPV — porque isso é muito comum. O importante é quando a infeção persiste durante muito tempo.

É muito importante vacinar depois do diagnóstico. A vacina não trata a infeção já existente, mas pode proteger contra outros subtipos. Mesmo quem já teve HPV pode beneficiar. Ter tido HPV não significa estar protegido contra todos os tipos. A decisão deve ser individualizada, aconselho sempre uma avaliação médica.

Riscos de contrair HPV

O principal fator é o contacto íntimo/sexual porque o HPV transmite-se por contacto pele-com-pele na região genital.

É importante retirar culpa:

  • Não depende apenas do número de parceiros;
  • O preservativo reduz o risco, mas não elimina totalmente;
  • Pode ocorrer numa única relação.

Uma pessoa pode ter HPV mesmo tendo poucos parceiros ou uma relação estável.

O HPV não é um tema apenas feminino. Os homens também transmitem, podem desenvolver verrugas (com alguns cancros associados), sendo a vacinação masculina muito importante.

O preservativo ajuda bastante, mas não protege a 100%, porque o vírus pode estar em áreas não cobertas pelo preservativo. Reduz o risco, mas não elimina totalmente.

O HPV não significa traição porque o vírus pode permanecer silencioso durante anos. Uma pessoa pode ter sido infetada muito antes de uma relação atual. Esta resposta em consulta costuma ter grande impacto porque reduz culpa e conflito conjugal.

Não é necessário deixar de ter relações. O importante é o acompanhamento médico, proteção e informação; sobretudo evitar o alarmismo.

Como evitar

Não existe uma proteção 100% absoluta contra o HPV. É um vírus muito comum e transmite-se por contacto íntimo pele-com-pele.

Mas existem formas muito eficazes de reduzir o risco:

  • Vacinação;
  • Uso de preservativo;
  • Rastreios regulares;
  • Acompanhamento médico;
  • Literacia e informação.

A melhor prevenção é a combinação entre vacinação, proteção nas relações e vigilância regular.

Nas mulheres:

  • Rastreio com teste HPV (citologia/Papanicolau);
  • O rastreio ginecológico continua a ser essencial porque permite detetar alterações precocemente, antes de evoluírem.

Nos homens:

  • Não existe rastreio universal equivalente;
  • O diagnóstico é feito muitas vezes por observação de lesões apenas.

A importância da vacina

A vacina contra o HPV é uma das grandes vitórias da prevenção moderna:

  • Reduz muito o risco de cancro do colo do útero;
  • Idealmente antes do início da vida sexual;
  • Ainda assim pode beneficiar adultos.

Uma crença muito comum é que só pessoas promiscuas têm HPV. Mas isso é falso: o HPV é extremamente comum e pode surgir mesmo em pessoas com relações estáveis durante muitos anos, porque muitas vezes leva muito tempo para aparecer.

Um medo muito frequente é o cancro, embora a grande maioria das infeções nunca evolua para cancro. Mas atenção: muitas infeções são silenciosas, daí a importância do acompanhamento médico.

Mensagens finais

Mesmo pessoas cuidadosas e com relações estáveis podem ter HPV.

O importante não é culpar - é prevenir e acompanhar.

Hoje em dia, conseguimos prevenir muitos casos de cancro relacionados com HPV — isso é uma das maiores conquistas da medicina preventiva atual!

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