O novo idioma do luxo não está em terra. Flutua.
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Francisca Salema
- 2 jun, 15:13
O verdadeiro luxo é um conceito em constante reinvenção. Hoje, talvez na sua forma mais sofisticada, ele já não se habita… navega-se.
Durante décadas, os sinais exteriores de sucesso foram previsíveis: um relógio raro, um carro exclusivo, uma morada invejável. Hoje, porém, os verdadeiros milionários parecem ter mudado as regras do jogo. O novo luxo não se estaciona numa garagem. Navega.
Os superiates transformaram-se no derradeiro símbolo de estatuto, privacidade e liberdade. Não são apenas embarcações. São mansões flutuantes, escritórios móveis, hotéis de seis estrelas e refúgios pessoais onde o mundo exterior deixa de existir.
Mas para o comum-mortal que ainda confunde conceitos… afinal, o que distingue um superiate de um simples iate?
A resposta está longe de ser apenas o tamanho. Embora a indústria considere geralmente "superiate" uma embarcação com mais de 24 metros, a verdadeira diferença está na experiência. Um superiate é, na prática, um hotel boutique privado sobre o mar: suítes dignas de resorts de umas quantas estrelas, spas, beach clubs, piscinas, ginásios, cinemas, adegas climatizadas, brinquedos aquáticos de última geração e equipas de profissionais dedicados a antecipar cada detalhe da experiência dos hóspedes.
Não é apenas um barco maior. É uma categoria própria de luxo.
Num tempo em que tudo é partilhado, fotografado e exposto nas redes sociais, talvez o maior luxo seja precisamente o contrário: desaparecer (ou mergulhar num sonho longe de tudo e todos). É por isso que os superiates fascinam. Porque representam algo que o dinheiro, por si só, nem sempre consegue comprar: distância. Distância do ruído, das multidões, das agendas preenchidas e das limitações geográficas.
Imagina acordar no mar da Sardenha, almoçar em Saint-Tropez e terminar o dia numa baía escondida da Córsega. Sem aeroportos. Sem filas. Sem horários. Apenas o mar como horizonte.
Mas há outro lado desta história que raramente é contado.
Por detrás do glamour existe uma indústria extraordinariamente sofisticada, onde engenharia, design, hotelaria de luxo e tecnologia de ponta se cruzam. E essa indústria está a viver uma transformação silenciosa.
Durante anos, o luxo marítimo foi medido em metros de comprimento, madeiras nobres e velocidade. Hoje, uma nova variável entrou na equação: a sustentabilidade. Os proprietários mais sofisticados do mundo procuram embarcações que conciliem exclusividade com inovação tecnológica e responsabilidade ambiental.
É precisamente nessa direção que apontam alguns dos projetos mais ambiciosos atualmente em desenvolvimento.
Entre eles surge o "Atlas Adventure", apresentado por Mário Ferreira, CEO da Pluris Investments.
O empresário português tornou-se uma das figuras mais relevantes do setor marítimo internacional, não apenas pela ligação histórica ao universo dos cruzeiros de luxo, mas pela capacidade de antecipar tendências antes de elas se tornarem consenso. O que, na nossa linguagem de lifestyle, chamamos de trendsetter.
A prova mais recente surge esta semana com o anúncio de um investimento em quatro superiates híbridos de nova geração destinados ao mercado norte-americano, num projeto avaliado em cerca de 260 milhões de dólares por embarcação. Uma abordagem que procura unir luxo extremo e eficiência ambiental.
Mas mais do que uma aposta empresarial, o projeto revela uma mudança profunda na própria definição de luxo. O vento voltou. A antiga forma de energia utilizada pela humanidade… voltou. Uma combinação improvável de tradição e tecnologia que ilustra para onde o setor está a navegar.
Num país com mar por todos os lados (herdeiro de descobrimentos, de navegadores e de uma relação antiga com o oceano) continua a ser curioso como tantas vezes pensamos pequeno quando se trata navegar mais longe ou fora de pé. Neste contexto, o percurso de Mário Ferreira ganha um brilho particular: mostra que é possível competir nos segmentos mais exclusivos do mercado internacional sem perder as raízes portuguesas.
E talvez seja precisamente isso que torna esta história tão interessante.
Porque os superiates não são apenas objetos de luxo. São declarações de ambição.
Representam uma visão do mundo onde as fronteiras são opcionais, o tempo assume outro ritmo e a experiência vale mais do que a posse.Num planeta cada vez mais acelerado, os proprietários destes gigantes dos mares parecem ter compreendido uma verdade simples: o luxo absoluto já não consiste em ter mais.
Consiste em poder escolher onde ir… e como ir. “Mais do que o destino, importa a forma de lá chegar”, como referiu Mário Ferreira ao Jornal Económico.
Talvez por isso os superiates continuem a exercer um fascínio quase universal. Não representam apenas riqueza. Representam uma visão.
E num setor onde o futuro é frequentemente desenhado muito antes de chegar ao mercado, empresários como Mário Ferreira ajudam a mostrar que a próxima revolução do luxo marítimo poderá não ser feita apenas de mais espaço ou mais opulência, mas de formas mais inteligentes - e mais sustentáveis - de conquistar o oceano.
E quando se observa um superiate a desaparecer lentamente no horizonte… percebe-se que ele transporta muito mais do que riqueza.
Transporta a ideia intemporal de liberdade.
E se isto não é o verdeiro luxo… então o que será?
O McDonald's que se prepare para a nova concorrência (e não é Burger King)
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Rafaela Simões
- 2 jun, 13:16
