No coração da lezíria ribatejana ergue-se um dos símbolos maiores da identidade samorense: a Igreja Matriz de Samora Correia, dedicada à Nossa Senhora da Oliveira. Esta igreja é uma das referências da região e há uma lenda que passa de geração em geração. Lenda essa que me foi contada pela minha avó, Albertina Simões.
"Querida neta, a igreja de Samora é muito bonita. Quando foi inaugurada, repararam que estava uma oliveira em cima do telhado já com raízes, por isso ficou a Nossa Senhora da Oliveira", conta-me a minha avó.
Conta ainda a tradição que a imagem de Nossa Senhora terá sido encontrada nessa oliveira e que sempre que tentavam levá-la para outro local, regressava misteriosamente ao ponto onde surgira, como que indicando o sítio onde desejava ser venerada.
Mas vamos a factos. Sabe-se que a fundação da igreja remonta à Idade Média, período em que a região esteve sob administração da Ordem de Santiago, e que esta ordem militar e religiosa desempenhou um papel determinante no povoamento e organização do território após a Reconquista cristã.
É provável que já no século XIII existisse um templo no local, ainda que muito diferente do edifício atual. A igreja funcionava não apenas como espaço de culto, mas também como centro estruturante da vida comunitária.
Tal como grande parte do património religioso português, a igreja sofreu danos significativos com o terramoto de 1755 e a reconstrução, levada a cabo na segunda metade do século XVIII, conferiu-lhe características mais próximas do estilo pombalino: linhas sóbrias, fachada equilibrada e um interior reorganizado segundo os modelos da época.
Apesar das transformações arquitetónicas, a devoção manteve-se inabalável. A imagem de Nossa Senhora da Oliveira continuou a ocupar um lugar central na vida espiritual da vila.
Ao longo dos séculos, a igreja foi palco de batizados, casamentos, promessas e despedidas, mas é sobretudo durante as festas em honra da padroeira, que se realizam todos os anos em agosto, que o seu papel ganha maior visibilidade.
A minha avó visita a igreja quinzenalmente e, de cada vez que lá entra, não consegue deixar de notar na riqueza que verga. Isto porque no interior destacam-se os retábulos de talha dourada, as imagens religiosas de grande devoção local, as pinturas e elementos decorativos típicos do período barroco tardio e os azulejos do século XVIII que revestem as suas paredes interiores e que fazem alusão ao Apóstolo São Tiago.
Contada a história... já percebeste porque é tão bonita? Espreita as imagens.
