Portuguesa parte para ilha privada do bilionário Richard Branson e na mala leva... um documentário
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Rafaela Simões
- 1 jul, 14:52
Joana Andrade é conhecida em Portugal como a surfista pioneira das ondas gigantes da Nazaré. Leva agora esse legado lá para fora, num evento exclusivo na ilha privada do bilionário Richard Branson. Em entrevista à VERSA fala-nos sobre este convite único.
Joana Andrade, a surfista portuguesa distinguida em 2024 pela Forbes Portugal
O trabalho de Beatriz Ryder como fotógrafa de surf
Há convites que são irrecusáveis e aquele que foi feito a Joana Andrade por Richard Branson, o empresário britânico e bilionário que ocupa a 1.545.ª posição na lista de multimilionários da Forbes, é um deles.
A surfista portuguesa foi convidada a integrar o exclusivo Iconic Leadership Summit, um encontro que reúne alguns dos mais influentes líderes, investidores e empreendedores internacionais, que se está a realizar até 4 de julho na ilha privada de Sir Richard Branson.
Joana partiu a 29 de junho de Portugal e consigo levou o documentário Big vs Small, mostrando a magnatas internacionais o retrato de desafios físicos e psicológicos que enfrenta ao surfar as ondas do Canhão da Nazaré.
Em entrevista à VERSA, a surfista portuguesa fala sobre o significado deste convite, o caminho que a levou até um dos palcos mais exclusivos do mundo e a responsabilidade de representar Portugal perante uma audiência global.
Qual foi a primeira reação quando soubeste que tinhas sido selecionada para participar no Iconic Leadership Summit, na ilha privada de Richard Branson?
Foi um misto de surpresa, gratidão e responsabilidade. Senti que este convite ia muito além do surf. É um reconhecimento de um percurso construído com muita dedicação, resiliência e vontade de desafiar limites. Representar Portugal e poder levar a minha história a um palco desta dimensão é um enorme privilégio.
Vais apresentar o documentário Big vs Small perante uma audiência muito influente e global. Que mensagem esperas que estas personalidades levem consigo sobre a Nazaré, o surf de ondas gigantes e o seu percurso?
O Big vs Small mostra que os maiores desafios começam, muitas vezes, dentro de nós. Mais do que um documentário sobre ondas gigantes, é uma história sobre coragem, preparação, resiliência e superação.
Espero que quem o veja compreenda o verdadeiro poder das ondas grandes, todo o trabalho físico, técnico e mental que existe por trás de cada sessão e a forma como aprendemos a enfrentar o medo com respeito, preparação e paixão.
Acredito que todos os que estarão em Necker Island vivem, à sua maneira, uma versão desta história. Embora venhamos de áreas diferentes, todos enfrentamos desafios, assumimos riscos, ultrapassamos obstáculos e saímos da nossa zona de conforto para alcançar algo maior. É precisamente essa ligação que espero criar através do filme.
Num universo tradicionalmente dominado por homens, sentes que este convite representa também um reconhecimento do papel das mulheres no surf de ondas grandes?
Sem dúvida. Durante muitos anos, as mulheres tiveram de lutar por espaço e reconhecimento neste desporto. Espero que este percurso possa inspirar outras mulheres a acreditarem que não existem limites para aquilo que podem alcançar quando trabalham com paixão, consistência e coragem para seguir os seus sonhos, mesmo quando o caminho parece impossível.
Que oportunidades esperas criar durante esta experiência em Necker Island ao partilhar o palco com figuras como Richard Branson, Susi Mai ou grandes investidores internacionais?
Acima de tudo, quero criar ligações genuínas. Acredito muito no poder das pessoas e das ideias quando se unem em torno de um propósito comum, especialmente num evento que reúne alguns dos maiores líderes, empreendedores e visionários do mundo.
Espero abrir portas para novos projetos internacionais, promover Portugal, a Ericeira e a Progress Surf School, mostrando o poder do surf como ferramenta de transformação, ligação ao mar, bem-estar, espiritualidade e superação pessoal.
Acredito que este tipo de encontros pode dar origem a colaborações com impacto real, usando o surf como ponte para inspirar pessoas, criar experiências autênticas e aproximar diferentes culturas através de valores como a coragem, a inovação e a conexão com a natureza.
A Nazaré já é uma referência mundial pelas suas ondas gigantes. Consideras que a tua presença neste summit pode contribuir para reforçar ainda mais a projeção internacional de Portugal e do surf nacional?
Acredito que sim. A minha participação num evento internacional desta dimensão é também uma oportunidade para representar Portugal. A Nazaré já conquistou um lugar muito especial no mapa mundial do surf, mas acredito que ainda existe um enorme potencial para mostrar ao mundo a riqueza da nossa costa.
Temos zonas incríveis como a Nazaré, Santa Cruz, Cascais e, claro, a Ericeira, onde tenho a minha escola, a Progress Surf School. São locais com ondas de classe mundial, natureza, tradição, e uma forma muito própria de viver ligada ao mar. Espero que esta experiência possa contribuir para reforçar a projeção internacional de Portugal como um destino de excelência para o surf, o turismo e experiências autênticas e trazer grandes nomes e líderes mundiais a surfar comigo
Este convite surge depois de vários reconhecimentos internacionais, incluindo a distinção da SURFER Magazine e a inclusão na lista da Forbes Portugal. Sentes que estás a viver o momento mais marcante da tua carreira ou acreditas que esta experiência pode ser apenas o início de uma nova etapa?
Sinto que é um momento muito especial. Não é todos os dias que recebemos um convite para participar num evento desta dimensão, ao lado de pessoas que admiro e que são referências mundiais nas suas áreas. Ao mesmo tempo, gosto de acreditar que este não é um ponto de chegada, mas sim o início de uma nova etapa.
Ao longo da minha carreira, aprendi que cada conquista abre portas para novos desafios e novas oportunidades. Hoje vejo o meu papel não apenas no surf de ondas grandes, mas também como alguém que pode inspirar pessoas, partilhar conhecimento e mostrar o poder transformador do mar e do surf. Quero continuar a desenvolver projetos que utilizem o surf como uma ferramenta para transformar pessoas, curar ligações connosco próprios, com os outros e com a natureza e promover o bem-estar físico, mental e emocional.
Acredito que Necker Island pode marcar o início de um novo capítulo, onde o surf é reconhecido não apenas como um desporto, mas como uma poderosa ferramenta de transformação, conexão e impacto positivo.
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Rafaela Simões
- 1 jul, 13:17
