Milão e Cortina, em Itália, estão a receber a 25.ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno que começou a a 6 de fevereiro e termina a 22. Isto significa que nos próximos dias, mais de dois mil atletas estão a competir por medalhas em sete modalidades principais, cada uma com diferentes provas, nomeadamente esqui, patinagem, hóquei no gelo, bialto, bobsleigh, curling e snowboard.
Ilia Malinin, com apenas 21 anos, está a participar nesta edição e ocupa, sem dúvida, o pódio das estrelas da patinagem dos Estados Unidos (e do mundo). É conhecido como o "Deus dos Quádruplos", uma referência ao axel quádruplo, considerado o salto mais difícil da modalidade e que apenas o jovem conseguiu executar em competições oficiais, lê-se no website oficial da competição.
Para já, nesta edição, o atleta ainda só competiu por equipas, no seu caso pelos Estados Unidos, e foi o seu programa que garantiu a medalha de ouro para todos. Durante a sua emocionante performance, conseguiu surpreender todos e não foi com um axel quádruplo, mas sim com um mortal para trás, aterrando, na primeira vez com os dois pés e apenas um na segunda.
Foi, sem dúvida, um momento incrível porque este salto esteve durante anos "proibido nas competições de patinagem artística por ser considerado muito perigoso", mas apesar de impressionante existem outros nomes importantes a ter em conta.
Quem apresentou pela primeira vez este salto?
Foi executado pela primeira vez há 50 anos, mais especificamente em 1976, nos Jogos Olímpicos em Innsbruck, Áustria. Quem conseguiu esta incrível proeza foi o americano Terry Kubicka que ainda o conseguiu incluir no programa do Campeonato Mundial de Patinação Artística Gotemburgo, em março do mesmo ano, mas pouco tempo depois o salto foi banido pela International Skating Union (União Internacional de Patinagem, em português).
Quem o trouxe de volta?
Não, não foi Ilia Malinin, mas sim Surya Bonaly, uma pioneira da patinagem artística "em diversos sentidos". Foi, por exemplo, uma das primeiras atletas negras a participar na modalidade durante a competição.
Bonaly destacava-se acima de tudo porque conseguia fazer saltos inéditos, incluindo, lá está, o mortal para trás. Com apenas 18 anos, a francesa decidiu incluir este movimento no seu programa, algo que lhe valeu muitas reprimendas de treinadores e jurados.
Conseguiu aperfeiçoar a técnica e em 1998, nos Jogos Olímpicos de Nagano, Japão, a sua terceira e última participação na competição, inclui o mortal no seu programa, mesmo sabendo que era um movimento proibido e que ia ser penalizada.
Mesmo assim impressionou o público especialmente porque aterrou em apenas um pé, o que dificulta ainda mais o movimento, mas acabou por ficar em 11.ª lugar.
Não foi nesta altura que o mortal deixou de ser proibido e só anos mais tarde voltou a ser um assunto. Depois do Campeonato Mundial 2024 em que Adam Siao Him Fa o inclui no seu programa a ISU marcou um congresso técnico e retirou a proibição — o que permitiu que Malinin o fizesse sem as penalizações e garantindo uma vitória para os Estados Unidos.
