Kyrie e Brielle Jackson, as gémeas que revolucionaram a história da medicina neonatal
Kyrie e Brielle Jackson, as gémeas que revolucionaram a história da medicina neonatal | Fotografia: Reportagem CNN “A Hug That Helped Change Medicine” (“Um Abraço que Ajudou a Mudar a Medicina”).
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"O abraço que salvou": bebés gémeas corriam risco de vida até uma enfermeira mudar a medicina

Um abraço entre duas irmãs prematuras emocionou o mundo e acabou por mudar a forma como muitos hospitais cuidam de gémeos recém-nascidos.

Kyrie e Brielle Jackson, as gémeas que revolucionaram a história da medicina neonatal

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Uma das melhores coisas das redes sociais é a possibilidade de conhecermos histórias que, de outra forma, talvez nunca chegassem até nós. Nos últimos tempos já recordámos a emocionante história da mãe de 98 anos que se mudou para um lar para continuar ao lado do filho, conhecemos a família que transformou contentores na casa dos seus sonhos e até o casal que trocou uma casa por uma carrinha. Hoje voltamos a viajar até ao passado para recordar uma história que continua a emocionar milhões de pessoas.

Nos filmes, dizem-nos que um beijo de amor verdadeiro pode salvar uma vida. Mas, desta vez, a realidade conseguiu ser ainda mais comovente. Não foi um beijo, mas sim um simples abraço entre duas irmãs que acabou por mudar a história da medicina neonatal.

Tudo aconteceu em outubro de 1995. Kyrie e Brielle Jackson nasceram 12 semanas antes do previsto, no The Medical Center of Central Massachusetts, em Worcester, nos Estados Unidos. Como era prática habitual na época, as duas gémeas foram colocadas em incubadoras separadas para reduzir o risco de infeções.

Apesar de ambas terem nascido prematuramente, Kyrie estava a recuperar bem. Pesava pouco menos de um quilo, mas ganhava peso todos os dias e a sua evolução era positiva. Já Brielle enfrentava um cenário muito mais delicado. Tinha dificuldades respiratórias, o coração batia de forma irregular, os níveis de oxigénio eram baixos e o peso praticamente não aumentava.

A situação agravou-se a 12 de novembro. Brielle entrou em estado crítico. Os pais assistiam, impotentes, sem saber se a filha iria sobreviver.

Depois de todas as soluções convencionais falharem, a enfermeira Gayle Kasparian decidiu tentar algo pouco comum nos Estados Unidos, mas já feito em alguns hospitais europeus. Com autorização dos pais, colocou as duas irmãs na mesma incubadora.

O que aconteceu a seguir surpreendeu toda a equipa médica.

Assim que ficou ao lado da irmã, Brielle aconchegou-se junto de Kyrie e começou a acalmar. Em poucos minutos, os níveis de oxigénio melhoraram, o ritmo cardíaco estabilizou e a temperatura corporal regressou aos valores normais. Enquanto a irmã mais pequena adormecia, Kyrie envolveu-a com o braço esquerdo, num gesto que acabaria por dar origem a uma das fotografias mais famosas da medicina neonatal.

A imagem ficou conhecida como “The Rescuing Hug” (“O Abraço que Salvou”) e correu o mundo. Foi publicada em dezenas de revistas e jornais pelo mundo e, anos mais tarde, voltou a ser recordada numa reportagem da CNN intitulada “A Hug That Helped Change Medicine” (“Um Abraço que Ajudou a Mudar a Medicina”).

Mais do que uma fotografia emocionante, o caso ajudou a mudar a forma como muitos hospitais olham para os bebés prematuros. A história despertou um maior interesse pela prática de manter gémeos prematuros juntos na mesma incubadora, conhecida como co-bedding.

Desde então, vários estudos têm demonstrado benefícios como maior estabilidade da frequência cardíaca, melhor regulação da temperatura corporal, menor nível de stress e uma recuperação mais tranquila, sem aumento comprovado do risco de infeção quando existem os devidos cuidados clínicos.

Kyrie e Brielle cresceram saudáveis e pela internet corre a notícia que continuaram muito próximas. Embora hoje se saiba que a recuperação de Brielle resultou de vários fatores clínicos e não apenas daquele momento, a verdade é que aquele abraço entre duas irmãs continua a ser um dos símbolos mais emocionantes do poder do contacto humano.

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