Silvio Di Donna
Silvio Di Donna | Fotografia: Instagram @gelato_contadino
Design e Artes

"Passava 12 horas no trabalho, 7 dias por semana". Sem contrato renovado, Silvio faz agora sucesso a vender gelados

Mais do que trabalhar por dinheiro, Silvio Di Donna trabalha por paixão. Gosta de gelados, é taxista e a engenharia está na sua essência. Contamos toda a história.

A vida de um engenheiro que é taxista e vende gelados

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Trabalhar por paixão pode não ser o caso de muitos, mas é esse amor que nos leva à história de Silvio Di Donna. Engenheiro de formação, taxista por opção e gelateiro por paixão, o italiano construiu uma vida profissional que não cabe facilmente numa só definição.

Aos 47 anos, Silvio Di Donna, natural da província de Bari, no sul de Itália, divide o seu tempo entre diferentes atividades. Mantém a ligação à engenharia, conduz um táxi pelas ruas de Bolonha e, quando a oportunidade surge, põe em marcha o projeto pelo qual ficou conhecido: o Gelato Contadino. E, pelo menos segundo o site italiano Cibo Today, não o faz para ganhar mais dinheiro. Para que o faz então? È o que vamos descobrir.

Da engenharia ao gelado

A formação de Silvio começou longe das cozinhas. Licenciou-se em Engenharia de Telecomunicações e começou a trabalhar nos setores energético e petrolífero, numa profissão que o levou a viajar pelo mundo. Não deixava, contudo, de ser um trabalho duro.

"Nos anos 2000, durante três anos, trabalhei em estaleiros petrolíferos. Era uma época bastante favorável do ponto de vista económico. O trabalho também era stressante: durante várias semanas, passava 12 horas por dia no local de trabalho, sete dias por semana. Nas semanas seguintes, estava de folga. Esta alternância era bastante desgastante, porque, durante as semanas de descanso, as pessoas à minha volta estavam a trabalhar. No fundo, sentíamo-nos um pouco desencontrados em relação aos amigos ou à família", conta em entrevista ao Corrierre Della Sera.

Contudo, foi graças a esses períodos largos de tempo livre que está onde está hoje.

“Adoro gelado e então perguntei-me: ‘Porque não aprender a fazê-lo?’”. E assim foi.

Começou por frequentar um curso profissional em Bolonha, cidade com uma longa tradição ligada ao gelado artesanal.

"Dei os primeiros passos no mundo da pastelaria como autodidata", conta. No entanto, Silvio mantinha o emprego como engenheiro, pelo menos até a sua vida mudar anos depois da crise de 2007. "Em 2009, o meu chefe ligou-me. Tinha um contrato a termo que era renovado periodicamente. Ainda hoje me lembro das palavras dele: 'Sabes, há bastante crise e o futuro é um pouco incerto'. Eu fui mais direto: 'Então não renovamos mais', disse-lhe."

E tudo para se dedicar... aos gelados.

Contudo, para esse sonho, tinha de ter uma fonte de rendimento e foi então que decidiu tirar uma licença de táxi em Bolonha. "Era um trabalho árduo, com todos os problemas que assolam o setor, mas tinha uma vantagem: ao longo dos anos, tive a oportunidade de adquirir muita experiência."

Alguns anos depois, durante uma passagem por Londres, conheceu um Chef apaixonado por Itália que acabou por lhe ensinar aquilo que ainda não sabia.

Hoje, trabalha como taxista e nas horas vagas vende gelados através do Gelato Contadino, que funciona de forma itinerante em eventos gastronómicos para onde leva a sua pequena máquina portátil, com capacidade para dois quilogramas. Pode passar quatro dias a preparar tudo e, no final, apresentar no máximo seis sabores.

Isto porque os gelados são feitos num pequeno laboratório em Onferno, no qual existe uma máquina Carpigiani com cerca de 50 anos. Não há, por isso, espaço para receber clientes – o que não podia agradar mais a Silvio.

No laboratório, Silvio trabalha apenas com ingredientes de agricultores e produtores locais, motivado por um passado ligado à agricultura. “O meu pai era agricultor e eu decidi que quero trabalhar apenas com quem é como ele”, explica.

Pode usar figos de uma exploração agrícola de Sorrivoli ou leite de cabra ordenhado por produtores que vivem a poucas centenas de metros do local onde está a fazer o gelado. A esse leite junta, por exemplo, mel de tília para criar o seu fiordilatte.

Já o pistácio, no auge hoje em dia, não podia ser mais divin(al): “Recolho-o todos os anos no final de agosto, num vale esquecido por Deus, na Basilicata”, conta.

No fundo, a ideia de Silvio passa por devolver o gelado à sua essência e tratar o gelado como comida e alimento, e não apenas uma sobremesa.

A história deste homem mostra-nos que, tal como os seus gelados não são apenas gelados, Silvio Di Donna não é apenas uma coisa. Mais do que acumular profissões, parece ter encontrado uma maneira própria de não deixar que uma única profissão dite o ritmo da sua vida.

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