James Harrison | Fotografia: Subel Bhandari/picture alliance via Getty Images
James Harrison | Fotografia: Subel Bhandari/picture alliance via Getty Images
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Este homem salvou 2,4 milhões de crianças e a sua história deixa uma lição

Todos os dias cruzamo-nos com histórias inspiradoras e algumas levam-nos mesmo a mudar hábitos. Depois de conheceres a história de James Harrison, também poderás salvar vidas.

James Harrison, um dos maiores doadores de sangue da história

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Por todo o mundo, existem histórias de pessoas comuns que, por circunstâncias inesperadas, se tornam figuras centrais em avanços médicos, sociais ou humanitários.  

É precisamente esse o caso de James Harrison, um australiano que ficou conhecido como “o homem do braço de ouro” e cuja vida se transformou numa das mais extraordinárias histórias de dádiva de sangue do mundo. Harrison morreu em março de 2025, aos 88 anos, e deixa um legado fenomenal: estima-se que o seu plasma tenha ajudado a salvar mais de dois milhões de bebés.

A sua jornada como dador começou após uma experiência pessoal marcante, quando aos 14 anos foi submetido a uma cirurgia ao tórax que exigiu múltiplas transfusões de sangue. Esse momento, que lhe salvou a vida, despertou-lhe uma promessa simples, mas poderosa: retribuir o gesto quando fosse possível.

Assim que atingiu a maioridade, aos 18 anos, começou a doar plasma regularmente. Durante décadas, manteve uma disciplina impressionante: doava a cada duas semanas, sem falhar, até aos 81 anos. Ao longo da sua vida, realizou centenas de doações, tornando-se num dos maiores dadores de sangue e plasma alguma vez registados.

O que tornava Harrison verdadeiramente único não era apenas a sua dedicação, mas a presença rara no seu sangue de um anticorpo chamado Anti-D, um componente essencial na prevenção de uma condição médica grave conhecida como Anti-D. Este anticorpo é utilizado na produção de medicamentos administrados a grávidas cujo sangue pode atacar os glóbulos vermelhos do feto, uma situação associada à Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (HDFN).

Antes destes medicamentos, desenvolvidos a partir da década de 1960, cerca de metade dos bebés diagnosticados com esta condição não sobrevivia. Hoje, graças a intervenções como as derivadas do plasma de Harrison, estima-se que milhares de vidas sejam protegidas todos os anos.

Mais do que um recordista – chegou a ser reconhecido pelo maior número de doações de plasma do mundo durante anos – James Harrison deixa uma mensagem simples, mas poderosa: doar não dói, e a vida que se salva pode, um dia, ser a nossa.

A lição que fica

A história de James Harrison mostra que o impacto mais profundo nem sempre vem de grandes feitos públicos. E, num mundo onde a necessidade de sangue e plasma é constante, a sua história é também um apelo direto. Doar sangue é um ato simples, rápido e seguro, mas o seu efeito é extraordinário. Cada dádiva pode representar uma cirurgia possível, um tratamento concluído ou uma vida inteira preservada.

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