Desde as primeiras jardineiras enviadas em caixas de pizza até ao reconhecimento internacional, a marca portuguesa Favorite People, fundada pelas irmãs Rita e Madalena Rugeroni no final de 2022, tem construído o seu percurso de forma consistente. E a cada estação há novidades.
A marca acaba de lançar para a primavera/verão 2026 a sua nova coleção La Cantina, inspirada no imaginário mediterrânico, com referências a Itália, com padrões que evocam toalhas de mesa e uma paleta vibrante de cores. No fundo, a nova coleção expande o universo da etiqueta portuguesa para além das suas icónicas jardineiras, mantendo o conforto, o humor e a irreverência que a definem.
A coleção assinala também um novo capítulo no percurso da marca, com a estreia internacional numa pop-up no histórico Le Bon Marché, em Paris, integrada na exposição “Fashion Ferme”, entre 21 de fevereiro e 19 de abril de 2026. A presença no mais antigo department store da capital francesa representa não apenas um reconhecimento da sua identidade singular, mas também a confirmação de que o espírito descontraído e colorido da Favorite People pode agora sentar-se à mesa de um público internacional.
Em entrevista à VERSA, as irmãs Rugeroni falam sobre esta nova coleção.
A caixa de pizza acompanha a Favorite People desde o primeiro dia, mas só agora se tornou o ponto de partida conceptual de uma coleção. De que forma transformaram um detalhe funcional num manifesto identitário com La Cantina?
A caixa de pizza sempre fez parte da Favorite People. Desde o primeiro dia que as nossas jardineiras chegam assim a casa das pessoas. Nunca foi só uma embalagem, era uma forma de tornar aquele momento mais especial.
Com La Cantina, percebemos que a caixa representava uma coisa maior. A pizza tem esta ideia de partilha, de mesa cheia, de tempo sem pressa. E foi isso que quisemos trazer para a coleção.
La Cantina nasce muito desse espírito. Roupa que faz parte da vida das pessoas, dos momentos bons, e que com o tempo ganha ainda mais significado.
Numa época marcada pela pressa e pelo digital, que papel acreditam que a roupa pode ter na valorização desses momentos de pausa e convivência?
Hoje tudo é muito rápido e muito digital, mas as coisas importantes continuam a acontecer offline. Um almoço que se prolonga, uma conversa sem horas, um dia que corre sem grandes planos.
A roupa pode influenciar a forma como nos sentimos nesses momentos. Quando nos sentimos confortáveis e confiantes, estamos mais presentes. As nossas peças são pensadas para isso. Para usar muito, sem esforço, e para acompanhar a vida real. Para viver.
O que vos atraiu para este imaginário mediterrânico?
A Itália sempre nos inspirou muito, mais pela forma de viver do que pelo lugar em si. A importância que dão ao quotidiano, à comida, às pessoas, ao tempo.
La Cantina vem muito daí. Dos padrões que fazem lembrar toalhas de mesa, dos pimentos, dos tomates, das cores fortes, do encarnado, do cor de rosa, do azul, do lilás. Tecidos naturais, com textura, que ficam melhores com o tempo. De "comer com os olhos".
Mas continua a ser muito Favorite People. As combinações são inesperadas, há sempre humor, e as peças têm uma vibe que quem vê ao longe já sabe que são Favorite People.
Conhecidas pelas vossas jardineiras, expandem agora o universo da marca com coletes oversized, calças e acessórios. Como equilibram a evolução com a preservação da vossa silhueta icónica?
As jardineiras continuam a ser o centro de tudo. É a peça que define a marca.
Os outros produtos aparecem de forma natural, como uma extensão desse universo. Faz sentido que quem usa as nossas jardineiras possa também usar outras peças com a mesma atitude. Mas tudo tem de respeitar o mesmo princípio. Conforto, atitude, cor, padrões e uma certa irreverência. Se não tiver isso, não faz sentido.
O que significa para uma marca portuguesa independente entrar no department store mais antigo de Paris e integrar a exposição “Fashion Ferme”?
É um momento muito especial para nós. A Favorite People começou há pouco tempo e sempre crescemos de forma muito orgânica. Nunca fizemos grandes planos, fomos fazendo e vendo até onde podia chegar.
Estar no Le Bon Marché é um reconhecimento enorme, sobretudo porque é um espaço com uma curadoria muito forte. E é bonito perceber que chegámos lá sendo exatamente quem somos. Uma marca portuguesa, independente, com uma identidade muito própria.
Olhando para o percurso da Favorite People, da primeira jardineira enviada numa caixa de pizza até à presença em Paris, que momento consideram ter sido o mais transformador e porquê?
Talvez o momento em que começámos a ver pessoas que não conhecíamos a usar Favorite People. Na rua, em viagens, noutros países. Perceber que as peças já não eram só nossas, que passaram a fazer parte da vida de outras pessoas, foi muito marcante.
É isso que ainda hoje nos motiva. Continuar a criar peças que as pessoas escolhem para viver.
