Conhecido do grande público pelo talento multifacetado, João Paulo Rodrigues entra agora numa nova fase em que a música ganha um lugar ainda mais central no seu percurso.
Embora cantar nunca tenha estado ausente na sua carreira – muito pelo contrário, foi precisamente a participação em A Tua Cara Não Me É Estranha, programa da TVI, que revelou ao público a faceta que alguns ainda desconheciam – o artista prepara-se para apresentar o seu primeiro disco.
Entre canções que refletem experiências de vida e a sua essência, João Paulo Rodrigues mostra-se determinado em afirmar-se como músico, sem abdicar da identidade que o tornou uma figura querida do público português. Por isso mesmo, o espetáculo marcado para 13 de março na Aula Magna, em Lisboa, vai juntar três dos seus mundos: música, humor e histórias.
Em entrevista à VERSA, revela tudo sobre as novas canções e o que podemos esperar do novo e primeiro disco.
O seu primeiro disco marca um novo capítulo na sua carreira. Pode-nos contar como foi o processo de composição das novas canções?
Não é bem um capítulo novo. A música sempre acompanhou a minha carreira profissional, portanto é uma coisa que eu achei que devia estar ainda mais presente na minha vida e fazê-lo de uma forma mais consistente e é o que estou a fazer agora.
Quanto ao processo de composição das canções, estou a trabalhar com um grupo muito bom de song writers, aliás, tenho um produtor que é o Diogo Guerra, filho da Rita Guerra. Ao nível da escrita, escrevo eu e o Gonçalo Malafaia e o Rick Wolf. São pessoas muito talentosas nas suas áreas e por isso as minhas canções ganharam outra dimensão.
Existe alguma história pessoal por detrás de uma das canções?
Todas as canções têm um bocadinho daquilo que sou e do que vivi. Há uma ou outra canção que conta uma história, assim sem revelar nada, mas sim, tem um bocadinho de mim.
Na TVI, através de programas como A Tua Cara Não Me É Estranha, ganhou grande visibilidade enquanto cantor. De que forma essa experiência televisiva moldou o seu percurso musical agora que apresenta um disco próprio?
A A Tua Cara Não Me É Estranha mudou de facto a minha carreira da noite para o dia e foi graças ao programa que se abriram portas para outras áreas da minha vida profissional, como a apresentação. Graças a esse trabalho a TVI convidou-me para apresentar programas. Apresentei na altura um programa que se chamava Não há Bela sem João, portanto foi um bocadinho música que de alguma forma abriu outras áreas profissionais. E foi giro porque as pessoas não sabiam que eu gostava de cantar. A Tua Cara Não Me É Estranha foi, por isso, um marco na minha carreira. Depois de A Tua Cara Não Me É Estranha, comecei a perceber que as pessoas gostavam de me ouvir cantar e por isso foi um bocadinho por isso que me comecei a dedicar mais à música.
O concerto na Aula Magna é descrito como um “espetáculo único com música, humor e histórias”. Como equilibra esses elementos — música e humor — num concerto ao vivo?
A Aula Magna é de facto um espetáculo com muita música, humor e histórias, porque, para já, a música faz parte da minha vida, o humor nunca deixou de fazer parte da minha vida também, e acho que é uma coisa que se equilibra bem. As pessoas permitem-me cantar e ser engraçado e fazer piadas e rir e contar as minhas histórias. Apesar de estar num concerto a cantar canções, algumas até profundas, eu não deixo de ser a pessoa que sou. A minha parte cómica nunca é abandonada. Se calhar é uma comédia mais contida, mas equilibra-se bem. E eu gosto que as pessoas saiam dali bem dispostas.
Que desafios encontrou em passar das diversas áreas artísticas em que já trabalhou (televisão, comédia, apresentação) para o mundo da música em nome próprio?
Para ser completamente honesto, no que diz respeito à música, acho que foi das coisas que sempre foi bem aceite pelas pessoas. Ou seja, apesar de fazer comédia, apresentar e ser ator também, quando o que estava em causa era eu cantar e assumir as minhas vestes enquanto músico, as pessoas normalmente aceitam bem e incentivam-me a cantar e a fazer música. Senti alguns desafios quando passei da comédia para a apresentação, causou alguma confusão, mas na música isso nunca acontece. Acho que é um bom indicador. Tem sido interessante perceber como as pessoas aceitam as minhas canções.
Olhando para o futuro, que novos projetos musicais, colaborações ou estilos gostaria de explorar nos próximos anos?
No futuro, não sei. Vou continuar a fazer a minha música. Primeiro vou fechar este álbum, ainda há muitas canções que não foram lançadas, portanto, quero lançar as canções até fechar o álbum e depois logo pensarei no que o futuro trará. Em termos de estilos musicais, gosto muito do registo mais soul e blues e power ballads, estilo anos 80 com grandes guitarradas, sinto-me muito confortável neste registo. No futuro gosto sempre de experimentar coisas novas e há algumas colaborações com malta mais nova que vai também trazer-me mais frescura às coisas que quero fazer. Para já estou completamente focado em fechar este álbum. Mas vou continuar a fazer, isso não há dúvidas nenhumas.
