E se em 2025 acontecesse um terramoto igual ao que afetou Lisboa em 1755? Esta distopia é o mote para o novo podcast da Rádio Comercial em parceria com o Quake - Museu do Terramoto, que coloca no centro da narrativa um repórter que entrevista testemunhas de um terramoto que "aconteceu" em Lisboa em 2025.
2050 – 25 Anos do Terramoto de Lisboa é o nome do primeiro podcast de ficção sonora da Rádio Comercial, lançado a 1 de novembro, data que assinalou os 270 anos do terramoto de Lisboa, tendo sido escrito por Patrícia Reis.
Quanto ao elenco, é de luxo, estando entre os protagonistas o grande Júlio Isidro, que estreou-se numa série de ficção em áudio. Será que era só o que lhe faltava no currículo?
"Ainda faltam mais umas coisas, mas série ficcional é minha estreia absoluta. Fazer teatro só com a voz é recuperar as minhas memórias de ouvir os teleteatros da Emissora Nacional", começa por contar à VERSA. Juntamente com atores como Afonso Pimentel, Gabriela Barros e Pedro Teixeira, Júlio Isidro confessa ter-se sentido "um tio a trabalhar com sobrinhos muito talentosos".
Apesar da vasta e reconhecida experiência, a gravação do 2050 – 25 Anos do Terramoto de Lisboa não deixou de ser um enorme desafio para Júlio Isidro, ainda para mais não tendo vivido o momento derradeiro há mais de 200 anos. "É tentar sentir o que terão sentido os lisboetas e todo o país quando a terra tremeu. O meu papel de historiador obriga-me a um certo efeito de distância. Pudera… não estava lá".
O que se segue na carreira de Júlio Isidro? "Talvez um one man show para o palco, uma segunda biografia cheia de histórias, quiçá um podcast que até já tem nome e descansar nos intervalos".
Até que tudo isto aconteça, temos um novo podcast para ouvir, no qual Patrícia Reis se empenhou, conseguindo ainda divertir-se.
"Escrever ficção é sempre um desafio muito grande. Escrever com um objetivo e para ser dito por grandes atores é ainda mais responsabilizante, por isso optei por me divertir e tirar a pressão de cima de mim. Escrevo sempre para mim em primeiro lugar e aqui fiz o mesmo: o que gostaria eu de ouvir num podcast de ficção que tivesse o intuito de criar consciência para a existência de terramotos e sismos? A escrita é um ofício muito solitário. Desta vez, tive a felicidade de ver o texto ser representado e isso foi muito gratificante", refere.
Enquanto escritora, colocou-se no papel de quem viveu a intempérie e estudou muito sobre o assunto. Depois, "foi só deixar a imaginação correr", diz. "A minha professora da escola primária escreveu em certo relatório: a Patrícia sofre de excesso de imaginação. Acho que ela tinha razão, menos na parte do excesso".
No futuro, Patrícia "gostaria de explorar esta vertente da escrita que leva à representação", ainda para mais tendo uma "paixão imensa pela rádio, pela palavra dita, pela voz". "Vamos ver o que traz o futuro", remata.
