Quase tudo o que as irmãs Kardashian fazem acaba por causar polémica e a última envolve a mais velha: Kim. Caso não saibas, a empresária tem uma marca de shapewear (roupas modeladoras) e, recentemente, apresentou um novo produto que não foi bem recebido nas redes sociais.
Trata-se de uma espécie de liga que cobre parte da cabeça, pescoço e queixo, e que oferece uma "compressão forte e direcionada para modelar e esculpir", lê-se online. Quando a novidade foi anunciada os comentários negativos multiplicaram-se no Instagram.
Há quem considere o produto "ridículo". Já outro comentário salienta que "não é empoderamento para as mulheres, é tentar lucrar com as suas inseguranças".
Ficamos muito intrigados com tudo isto. Decidimos falar com Sofia Carvalho, uma cirurgiã plástica e estética da Lisbon Plastic Surgery, sobre este estranho produto e os possíveis efeitos positivos e negativos, claro.
Que tipo de efeitos pode ter um produto como estes?
Normalmente, estas faixas ou mentoneiras são usadas no pós-operatório de cirurgias e procedimentos faciais e do pescoço com benefícios evidentes e comprovados no controlo do edema (inchaço), na prevenção de complicações como hematomas e seromas e na melhoria da cicatrização, durante este período.
No contexto cirúrgico, o uso é controlado, com tempo e indicação específicos.
Existe algum tipo de contraindicação em utilizar este produto fora do contexto cirúrgico? Que ricos pode representar?
A sua utilização prolongada poderá notar aumento do inchaço nas regiões periocular, malar e peribucal, que são as áreas sem compressão. Na prática poderá resultar no inchaço das olheiras (bolsas e papos), bochechas e lábios.
Também poderão surgir linhas de demarcação entre a zona não comprimida e a zona sob compressão.
Dependendo do grau de compressão (que neste caso será determinado pelo utilizador sem qualquer supervisão médica) poderão existir complicações relacionadas com compressão nervosa, vascular e alergias.
É mesmo possível que tenha algum efeito modelador ou adelgaçante no rosto?
Quando se remove a faixa após uma noite de utilização há uma melhoria aparente por compressão de tecidos moles, no entanto, esta melhoria ligeira esbate-se num curto espaço de tempo (minutos a horas), dependendo do grau de flacidez da pele.
A principal melhoria é no contorno mandibular e pescoço que se apresentam temporariamente mais definidos. São as áreas onde a compressão se dá de forma mais eficaz e como tal, há uma redução do inchaço matinal no imediato e aparente efeito de lifting.
Supostamente a máscara tem fios de colagénio para um apoio "ultra suave" da mandíbula. Que tipo de efeitos pode isto ter?
De facto, olhando para a composição do produto não é claro sobre o que significa ter "fios de colagénio".
Além do mais, o colagénio é uma molécula que não penetra na pele e como tal, não adicionaria algum benefício à faixa.
Recomenda a utilização deste produto?
Não existe nenhuma evidência científica que sustente que as faixas de compressão facial possam modelar e esculpir o rosto ou apresentar outros benefícios.
A faixa faz uma compressão das regiões laterais da face e pescoço deixando a parte central do rosto livre de compressão.
Para além do impacto físico. Qual o impacto psicológico de produtos como este?
Numa sociedade pautada pelo culto à juventude e à beleza, o lançamento de produtos por figuras públicas ícones dessa juventude e beleza, funciona como estratégias de marketing para a venda de produtos que se revelam inúteis e desnecessários.
Estes produtos, muitas vezes promovidos por celebridades e influenciadores, geram consequências que vão além do consumo: eles afetam a autoimagem, a autoestima e a saúde mental.
Produtos como máscaras modeladoras para o rosto podem parecer inofensivos, mas fazem parte de um sistema de marketing que lucra com inseguranças, tornando-se ferramentas poderosas de manipulação emocional.
