Com o calor, há mais baratas a invadir as casas
Com o calor, há mais baratas a invadir as casas | Fotografia: Unsplash
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Atenção: baratas invadem Lisboa e já entram em casa de quem nunca as viu

Se este ano já tiveste a visita de uma barata em casa, não estás sozinho. Várias pessoas têm relatado o avistamento do inseto e Lisboa é um dos focos.

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Com a chegada das temperaturas mais elevadas, há um fenómeno que se repete todos os anos nas cidades, mas que este verão parece estar a atingir uma dimensão invulgar: o aumento de baratas em casa e nas ruas. O calor, aliado à humidade, cria as condições ideais para a reprodução destes insetos, que encontram nos esgotos, redes de saneamento, resíduos orgânicos e edifícios urbanos o ambiente perfeito para se multiplicarem. O resultado é visível nas ruas e, cada vez mais, dentro das habitações.

Já em 2025, João Leitão, presidente da Associação Nacional de Controlo de Pragas Urbanas, confirmava em declarações ao jornal Observador que existia "uma maior proliferação de baratas" em ambiente urbano. E parece que este ano o problema não é diferente. 

No grupo de Facebook Vizinhos de Alvalade, por exemplo, uma moradora conta que encontrou baratas em casa pela primeira vez em quatro décadas.

"Gostaria de saber se alguém no bairro tem dado conta de ter baratas em casa? Em 40 anos nesta casa nunca nos tinha acontecido, foi a primeira vez este ano. Tivemos obras recentemente na rua, relacionadas com abastecimento de água, não sei se poderá ser uma das causas, para além do calor. Ou alguma falha na limpeza dos esgotos?"

Já no grupo Campo de Ourique, uma moradora descreve uma situação que testemunhou junto ao Mercado de Campo de Ourique:

"Outro dia falei do lixo. O assunto foi resolvido. Hoje vou falar das baratas! Ia eu a atravessar a rua em frente do MCO [Mercado de Campo de Ourique] e vejo uma excursão destes bichinhos a saírem de uma tampa, que existe no asfalto, a caminho do referido mercado. Pergunto: A JF ou a CML não fazem desinfestações? Entidades pensem nisso e atuem, porque elas são mais que muitas e começam a habitar nos prédios vizinhos."

Em Azambuja, mais um relato: "As baratas andam por todo o lado, a qualquer hora do dia. Nas ruas, às portas dos cafés, entram para dentro dos estabelecimentos e até para dentro de casas, mesmo com veneno e desinfestação feita",

Contudo, este não é um cenário exclusivo de Lisboa.

Também no Barreiro há quem relate o aparecimento de baratas e descreva até o momento como traumatizante. 

"Esta noite aconteceu algo que nunca tinha acontecido em oito anos: enquanto estava deitada na cama, senti uma barata a caminhar sobre o meu braço. Conseguimos apanhá-la, mas confesso que este episódio ultrapassou completamente o meu limite de tolerância. Desenvolvi uma verdadeira fobia e neste momento nem consigo dormir. Sei que pode parecer um problema menor para algumas pessoas, mas para quem vive com isto diariamente torna-se extremamente desgastante. Se as rendas não estivessem tão altas, provavelmente já teria mudado de casa há muito tempo", pode ler-se no Facebook. 

Já em Fernão Ferro, Seixal, uma habitante diz que, como nunca lhe aconteceu antes, "este ano as baratas passeiam pelo quintal e já apareceram umas quantas dentro de casa". 

Cada um destes testemunhos reflete uma preocupação crescente entre moradores, sobretudo em bairros onde anteriormente este tipo de ocorrências era raro.

Alterações climáticas podem estar a agravar o problema

Além do verão, especialistas apontam as alterações climáticas como um fator que poderá estar a favorecer a expansão das populações de baratas. O aumento das temperaturas e os períodos mais prolongados de tempo seco criam condições favoráveis para a sua sobrevivência e reprodução e há três espécies responsáveis pela maioria dos avistamentos

A mais comum dentro de casas, restaurantes e supermercados é a barata germânica (Blattella germanica), uma espécie pequena, de cor clara, que se esconde facilmente atrás de móveis, eletrodomésticos ou pequenas fissuras. Alimenta-se de restos de comida e adapta-se bem aos espaços construídos pelo ser humano.

Já a barata oriental (Blatta orientalis) prefere ambientes húmidos e escuros, sendo mais frequente em esgotos e zonas com acumulação de resíduos orgânicos.

A que mais impressiona é a barata americana (Periplaneta americana), que pode atingir cerca de cinco centímetros de comprimento. Extremamente resistente e adaptável, é frequentemente observada a subir paredes, muros e edifícios, sobretudo junto a redes de esgotos.

O que fazer se encontrares baratas em casa?

Embora a presença de uma barata possa parecer um caso isolado, os especialistas alertam que normalmente indica a existência de mais exemplares nas proximidades. Para reduzir o risco de infestação, recomendam:

– Manter a cozinha e a despensa limpas, evitando restos de alimentos expostos;
– Fechar bem o lixo doméstico e removê-lo regularmente;
– Reparar fugas de água e eliminar zonas de humidade;
– Tapar fendas, ralos e pequenas aberturas por onde os insetos possam entrar;
– Instalar redes ou tampas adequadas nos ralos quando possível;
– Se os avistamentos forem frequentes, contactar uma empresa especializada em controlo de pragas, evitando que uma pequena presença evolua para uma infestação.

Deixamos na galeria de imagens alguns produtos que também podem ajudar a afastar as baratas. 

Não é a única praga em Portugal...

Para além das baratas, recentemente surgiram relatos de uma praga de pulgas no Porto, mais precisamente na zona de Águas Santas, na Maia. Segundo é relatado pelo canal Now, a infestação terá começado terá começado em casa de uma idosa que vive sozinha e ter-se-á arrastado para a escola na Rua Doutor Carlos Pires Felgueiras e para a via pública. 

Perante a situação, a Câmara Municipal da Maia já mostrou intenção de avançar com uma desinfestação da escola e ainda da via pública, espera apenas por uma comunicação formal do delegado de saúde da câmara.

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