Uma história com mais de 2 mil anos chega à Rua Castilho pelas mãos de uma mulher que deves conhecer
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Rafaela Simões
- 19 mai, 11:50
Marcella Echavarria é uma artista espanhola que trabalha um dos têxteis mais raros que pode em breve ser admirado em Lisboa. Contamos a história deste material ancestral.
Marcella Echavarria trabalha com material raro e vai expô-lo em Lisboa
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Enquanto Lisboa se prepara para receber mais uma edição da ARCO Lisboa e uma série de iniciativas dedicadas à arte contemporânea, a Rua Castilho volta a afirmar-se como um dos epicentros culturais da cidade com a realização da Castilho Art Week.
O evento decorre entre 25 de maio e 28 de junho e reúne várias ativações artísticas, instalações e intervenções criativas em espaços comerciais e galerias da zona, sendo um deles a montra da THE, na Rua Castilho, que recebe uma instalação de Marcella Echavarria, fundadora do projeto NOIR Mud Silk.
Marcella é uma artista e investigadora espanhola que tem dedicado os últimos anos à preservação e reinvenção de um dos têxteis mais raros e ancestrais da tradição chinesa: o mud silk.
Mas, afinal, o que torna este tecido tão singular?
Produzido há mais de 2.500 anos na região de Guangdong, no sul da China, o mud silk distingue-se por um processo artesanal profundamente ligado aos ciclos da natureza. A seda é trabalhada manualmente e tratada com elementos naturais, incluindo lama rica em ferro proveniente do Delta do Rio das Pérolas, o terceiro maior rio da China em comprimento. O resultado é um tecido reversível, de textura orgânica e tonalidade escura característica, cuja produção depende do clima, da terra e do tempo.
Mais do que um simples material, o mud silk representa um património cultural raro. E é precisamente essa dimensão histórica e sensorial que Marcella Echavarria procura transportar para o presente através do projeto NOIR Mud Silk.
O trabalho da artista move-se entre a investigação têxtil, a sustentabilidade e a criação contemporânea, e, ao reinterpretar técnicas ancestrais num contexto atual, Marcella constrói uma ponte entre tradição artesanal e design contemporâneo, questionando simultaneamente a velocidade da indústria da moda e a perda de processos manuais ligados ao território e à memória cultural.
A montra da THE é assim uma espécie de cenário imersivo onde o tecido deixa de ser apenas suporte ou vestuário para assumir um papel escultórico e narrativo.
Depois da apresentação em Lisboa, Marcella Echavarria levará também o seu trabalho até ao Porto, com uma nova instalação na montra da THE Porto, na Avenida Brasil 446. A inauguração está marcada para 28 de maio e a intervenção ficará patente ao público até 28 de junho.
Mostramos o projeto NOIR Mud Silk na galeria de imagens.
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