Quando caminhamos pelas ruas antigas de cidades como Lisboa ou Madrid, há lojas que parecem atravessar séculos sem perder a sua identidade. Mas eis que é noutra cidade que uma loja tem atraído curiosos e fãs de ASMR.
É no centro histórico de A Coruña, Galiza, Espanha, que se encontra a merceria La Crisálida, estabelecimento que abriu portas em 1942 pelas mãos de Josefa Castaño, com o objetivo de sustentar a família num tempo em que poucas mulheres tinham acesso ao mercado de trabalho. Desde então, a loja manteve‑se aberta, passando de geração em geração dentro da mesma família e sobrevivendo às mudanças sociais e económicas do pós‑guerra.
Durante décadas, La Crisálida foi uma retrosaria tradicional, um espaço onde se encontravam carrinhos de linhas, agulhas, botões, tecidos e acessórios que faziam parte da vida quotidiana das pessoas. Mas o próprio nome da loja já era visionário: crisálida representa a fase em que a lagarta se prepara para se tornar borboleta, termo apropriado para uma loja que soube reinventar‑se sem perder a sua essência.
Quando um botão se torna viral no TikTok
Nos últimos anos, La Crisálida ganhou um novo tipo de público: seguidores nas redes sociais. Tudo começou com vídeos publicados na plataforma TikTok, em que o atual proprietário, Ramón Santos, convida os espetadores com uma frase que rapidamente se tornou icónica: “Acompáñame a buscar un botón!” ("Vem comigo à procura de um botão", na tradução).
Neste conteúdo, Ramón Santos explora os corredores repletos de caixas e caixinhas antigas para encontrar botões raros ou pedidos específicos, transformando um gesto simples do dia a dia de uma retrosaria num ritual curioso e viciante de assistir.
Ao longo dos últimos anos, a retrosaria acumulou centenas de milhares de seguidores em TikTok e noutras redes sociais, tudo graças aos conteúdos que misturam ASMR (sons suaves e relaxantes) e a curiosidade histórica por detrás de um simples botão.
Muito além do entretenimento, estes vídeos tornaram La Crisálida num verdadeiro fenómeno digital e num exemplo de como lojas tradicionais podem encontrar um novo público através das redes sociais. E tudo se deve a uma simples pergunta: "Vem comigo à procura de um botão?" Vamos, sim, Ramón.
