Pepita Bernat
Pepita Bernat | Fotografia: D.R.
Nécessaire

Sobreviveu a uma guerra, a um casamento infeliz e conta como chegou aos 107 anos

Qual o segredo para viver até aos 100 anos? Cada um tem a sua resposta, mas a de Pepita envolve boa disposição e... muita dança.

Estamos sempre a ler novas histórias de pessoas que comprovam uma velha máxima: a idade é mesmo só um número. É o caso de Pepita Bernat que celebrou, recentemente, o seu 107.º aniversário, mas, antes disso, conversou com o La Vanguarda, sobre a sua vida e os seus segredos.

"Dançar e trabalhar são as coisas que mais me fazem feliz. Enquanto trabalhas, esqueces-te dos disparates da vida e, enquanto danças, [também] não pensas nisso", começou por dizer a idosa que se transformou, ao longo dos últimos anos, num ícone de Barcelona, Espanha. 

E, atenção, a sua fama vai além dos limites da cidade onde vive, chega memo a todo o país e mais longe, especialmente desde que esteve em destaque no livro Qui dia balla, any empeny de Eugènia Güell Barnils, onde contou a sua história de vida.

Mas, afinal, como foi a vida desta mulher centenária? 

Nasceu em 1919 em Barbens, numa casa muito e, ainda muito jovem, os pais mandaram-na para casa dos tios em Barcelona, onde continua a viver. Lá teve uma infância feliz, mas, infelizmente, com início da Guerra Civil regressou à sua aldeia. 

Foi lá que conheceu o seu marido, Pepe, mas confessa que a decisão de casar foi muito precipitada. "Voltaria a viver tudo o que vivi, exceto o meu casamento, o meu grande erro", contou ao jornal. Eram demasiado diferentes e a idosa descreve a convivência como "péssima". "Não nos dávamos bem", acrescenta. 

Com o final da guerra, a espanhola foi trabalhar para a Suíça, onde esteve dois anos, uma forma de "fugir" ao marido. Também abriu os seus próprios negócios, ao longo dos anos, incluindo "vários talhos, um bar de praia em Cubelles, um salão de cabeleireiro no Raval, em Barcelona", explica o jornal.

"Sempre tive os meus próprios negócios e pessoas a trabalhar para mim. Mas fui eu que trabalhei mais do que ninguém. Sempre fui a primeira a levantar-me e a última a deitar-me."

Quando ficou viúva, aos 73 anos, conseguiu, finalmente, encontrar o seu grande amor, Carlos. É um homem mais novo que conheceu numa festa e graças a ele descobriu o amor. "É a prova de que não se consegue imaginar de onde o amor vai surgir", afirma. 

Qual o segredo para tanta energia? 

Pepita considera que ver os seus esforços reconhecidos e apreciados a motiva e lhe permite viver mais tempo com saúde. "Eu gosto de trabalhar, e há pessoas a quem isso não agrada. Não pode ser assim, as coisas têm de ser conquistadas", afirma.

Dançar também ajuda claro e na entrevista contou que todas as semanas, aos domingos, aproveita para fazê-lo num clube local, o La Paloma. "Gosto de boleros e pasodobles, embora me adapte ao que os jovens que me convidam para dançar queiram dançar", confessou.

Deixa, por isso, um conselho valioso e palavras de motivação. "Que vivam, que se mexam, que não se sentem no sofá."

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