Sublime: mais do que hotéis, uma filosofia de luxo com curadoria portuguesa
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Vanda Jorge
- 4 jul, 06:59
Poucas indústrias são tão irresistivelmente sedutoras como a do luxo. Não pelo que vende ou pelo preço a que vende, mas pelo que permite imaginar. É talvez o único território económico onde o sonho é a matéria-prima, liberdade a que (o luxo) se pode dar ao luxo. E há uma marca portuguesa a (re)imaginar a hospitalidade de luxo contemporânea…
Mais do que uma crise de identidade, a indústria do luxo vive, talvez, uma inquietação de maturidade. Confundindo-se indefinição com evolução. Questionar-se, rever os seus próprios códigos e repensar continuamente o significado de valor não é um desvio no percurso do luxo, é, precisamente, o luxo a ser luxo. Num mundo que exige respostas imediatas e certezas absolutas, haver lugar para a incerteza (tão natural quanto necessária) é um refrescante ato de coragem. E irresistivelmente sedutor…
De estudos recentes sobre a indústria da McKinsey à Bain&Company e dos relatórios de tendências da WGSN, há uma leitura: o luxo atravessa uma mudança estrutural, ainda em fase de definição conceptual. Falam de meaning-driven luxury, de place-based luxury, de desire for context, culture and connection; usam termos como rooted, local-first, quietly immersive experiences.
O que na hospitalidade de luxo se materializa na crescente valorização do lugar, das suas pessoas, da cultura, artes e identidades locais, da linguaguem própria enraizada no território. Ao mesmo tempo que o diferencial humano e a curadoria das experiências se tornam as estrelas da indústria.
E em Portugal temos de falar da Sublime Curated Hospitality. A evolução da marca até aqui conhecida como Sublime Hotels e que já não representava todo o universo do Grupo - da gastronomia ao bem-estar, na Comporta e em Lisboa. Uma mudança que cria uma nova categoria na hospitalidade de luxo e reafirma o grounded luxury como a filosofia de uma marca focada na hospitalidade com curadoria, na autenticidade, na profunda ligação ao território, à suas artes e às suas comunidades.
A conVERSA com Cristina Borges, CMO da Sublime Curated Hospitality, leva-nos a conhecer a estratégia que acompanha toda a mudança.
Depois das últimas experiências profissionais em mercados como o Dubai e Marbella, o que mudou na tua visão do luxo contemporâneo?
Essas experiências deram-me sobretudo uma perceção muito clara de como o luxo deixou de ser apenas uma questão de estética, e passou a ser uma questão de intenção, de cultura e de verdade.
Em mercados como o Dubai ou Marbella, onde a competitividade é extrema e tudo é altamente sofisticado, percebi que o cliente de luxo hoje procura contexto, autenticidade e uma ligação emocional ao lugar e às pessoas.
A minha visão não mudou radicalmente, mas tornou-se mais depurada. Hoje acredito que o luxo contemporâneo vive menos do espetáculo e mais da experiência silenciosa, do autêntico e genuíno, profundamente humana e curada.
No regresso a Portugal o que te atraiu no projeto Sublime?
O que me trouxe ao Sublime foi, acima de tudo, a coerência entre aquilo em que acredito no luxo e aquilo que o projeto já representava na sua essência.
Não foi apenas um regresso a Portugal, mas a oportunidade de integrar um projeto com uma identidade profundamente enraizada no lugar, na natureza e numa forma de hospitalidade que sempre desafiou leituras mais convencionais do setor.
Desde a sua origem, o Sublime revelou uma visão singular e muito à frente do seu tempo. O Gonçalo foi, e continua a ser, visionário na forma como antecipou uma linguagem de hospitalidade que hoje se tornou referência e inspiração.
Nesse sentido, o meu papel tem sido o de amplificar essa alma num momento de crescimento e transformação, preservando a sua autenticidade e reforçando aquilo que sempre o tornou único.
Recentemente, estiveste dedicada a uma mudança 360 na marca. Evoluiu de Sublime Hotels para Sublime Curated Hospitality e traz um novo posicionamento na hospitalidade de luxo…
O crescimento do grupo foi naturalmente um dos catalisadores desta evolução, mas não o único. Mais do que uma questão de escala, tratou-se de um processo de alinhamento entre aquilo que o Sublime já era na sua operação e experiência, e a forma como essa realidade era percecionada externamente.
O que muda de forma mais visível é a forma como a marca se organiza e se expressa — desde a arquitetura de marca até à clarificação do posicionamento e da narrativa que define esta nova fase do projeto.
No entanto, a transformação mais relevante é menos tangível: é uma afirmação estratégica de identidade.
Não se trata de uma reinvenção, mas de uma maior precisão. De traduzir, com mais rigor e consistência, uma essência que sempre existiu, numa linguagem contemporânea e coerente com a ambição, a maturidade e a expansão do grupo.
Afirmam-se como grounded luxury…o que tem de diferente de conceitos como o quiet luxury ou o old money? É uma nova tendência no luxo e para um perfil de cliente muito único?
É um tema que, curiosamente, tenho discutido bastante nas minhas aulas na Católica Business School e no Les ROches Global Hospitality, porque acredito que estamos perante uma mudança mais estrutural do que parece à primeira vista. O grounded luxury é uma forma de estar no luxo que não procura afastar-se do mundo, mas sim enraizar-se nele.
Ao contrário de conceitos como o quiet luxury, que muitas vezes se associa à discrição estética, ou do old money, que remete para uma herança mais social e codificada, o grounded luxury não é uma aparência, não são codigos, é uma relação com o território, com as pessoas e com a verdade do lugar.
Não sei se é uma tendência ou uma necessidade. Para mim, é mais um reflexo natural da evolução do cliente de luxo: mais informado, mais sensível e mais interessado em significado do que em status.
Não diria que estamos sozinhos, mas quero acreditar que estamos a contribuir para definir uma linguagem própria dentro desta nova categoria.
E o sense of belonging como se concretiza e traduz na experiências com a marca?
O sense of belonging concretiza-se em tudo o que é invisível, mas profundamente sentido.
Está na forma como desenhamos experiências que não são genéricas, mas enraizadas no território. Está na valorização das pessoas que vivem e trabalham connosco e na forma como integramos produtores locais, artesãos e a cultura do lugar na experiência do hóspede.
Mais do que criar um cenário, o objetivo é criar uma sensação de pertença — em que o hóspede não se sente apenas visitante, mas parte temporária de um ecossistema vivo.
O luxo cada vez mais Human Made e analógico…faz sentido?
Faz-me todo o sentido, e diria que já não é uma tendencia, é o presente.
A tecnologia tem o seu lugar, mas no luxo contemporâneo ela é quase invisível. O que se tornou verdadeiramente raro é o humano: o cuidado, a atenção, a capacidade de antecipar necessidades sem automatização.
O valor está cada vez mais na relação direta, no gesto feito por pessoas, na ligação com produtores locais, na autenticidade das experiências.
Costumo dizer aos meus alunos que talvez o maior luxo de 2026 seja, simplesmente, sentir que alguém teve tempo para cuidar de nós. E se eles conseguirem levar essa ideia para os projetos por onde passarem e espalharem essa energia tão bonita que teem, então sinto que já deixei uma pequena semente.
What’s next?
O que vem a seguir é uma consolidação desta nova linguagem de marca e uma expansão cuidadosa daquilo que já estamos a construir.
Há sempre novos projetos no ar, novas experiências e novas formas de habitar o universo Sublime a caminho, sempre com o mesmo princípio: crescer sem perder a essência.
O foco está em aprofundar o conceito de grounded luxury e em criar experiências ainda mais integradas com o território, a cultura e as pessoas.
Vê a galerias de imagens.
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Margarida Ribeiro
- 4 jul, 06:34
