Quem nunca saiu de casa com a maquilhagem impecável para, em poucas horas, se deparar com a base a desaparecer, o blush a esbater-se e as sombras a perderem vida? A luta por uma maquilhagem que dure o dia inteiro é real e é precisamente essa frustração que leva muitas pessoas a recorrer a truques improváveis.
Entre eles, um dos mais curiosos (e surpreendentemente comuns) é usar laca para cabelo como fixador de maquilhagem. Sim, leste bem. O truque é popular há décadas, mas será isto realmente boa ideia?
Antes de mais é preciso perceber o porquê de haver quem o faça. A laca, tal como atua no cabelo, atua na pele ao criar uma película rígida que torna a maquilhagem indestrutível.
No entanto, como explica o farmacêutico e especialista em dermofarmácia Héctor Núñez na Glamour, uma das principais diferenças entre a laca e os fixadores de maquilhagem é que os polímeros da laca são muito mais rígidos, pensados para prender cabelo, e não para usar na pele, que precisa de flexibilidade para gesticular.
A isso junta-se outro problema: a laca quase não contém água e tem um alto teor de álcool para secar rapidamente. No rosto, isso traduz-se num risco muito maior de irritação, secura da pele, vermelhidão, alergias cutâneas e até de inalação de partículas.
“O mais prejudicial é o álcool desnaturado (alcohol denat), que pode alterar a barreira cutânea. Assim, facilita que a pele perca água com mais facilidade e fique desidratada", explica desta vez a dermatologista Elena Martínez.
Enquanto a dermatologista Elena Martínez defende que recorrer à laca de vez em quando não é grave, o médico Héctor Núñez diz mesmo que não se podem abrir exceções.
Por isso, o melhor é apostar num bom fixador de maquilhagem e, segundo Elena Martínez, é isto que devem conter na lista de ingredientes: polímeros suaves, hidratantes (como glicerina, ácido hialurónico, pantenol e aloe vera), calmantes (niacinamida), antioxidantes leves (vitamina E), fragrâncias suaves e sejam sem ou com muito pouco álcool desnaturado.
