Lisboa volta a ser notícia além-fronteiras. Desta vez, foi o The New York Times a dedicar um artigo à inauguração da primeira flagship store da Portugal Jewels, que abriu portas no coração do Chiado, num espaço que guarda memórias de mais de um século: a antiga Barbearia Campos.
Fundada em 1886, a barbearia encerrou em 2023 por dificuldades financeiras, após ter sido ponto de encontro de figuras como Fernando Pessoa, Eça de Queiroz e Almada Negreiros. Dois anos depois, em maio de 2025, o espaço ressurgiu com nova identidade, mas sem apagar o passado. A Portugal Jewels trouxe consigo uma renovação cuidada, preservando os espelhos de parede, as cadeiras de barbeiro e o mosaico hidráulico, agora reinterpretado em tons de azul.
Segundo o jornal norte-americano, esta dualidade entre passado e presente é a essência do projeto assinado pelo atelier lisboeta LADO. A tonalidade azul das paredes ─ inspirada no mar português e no azul intenso de Yves Klein ─ envolve uma vitrine de vidro e laca azul onde brilham cerca de 600 peças da marca.
Os irmãos Joana e Alexandre Gomes, que assumiram a gestão da Portugal Jewels em 2017, explicam que a sua intenção foi “entrelaçar a história da Portugal Jewels, fundada em 1990 pela sua mãe, Rosa Amélia Barbosa, com a memória da antiga barbearia”.
A Portugal Jewels é hoje reconhecida internacionalmente pela filigrana artesanal, produzida manualmente em Gondomar em parceria com 12 oficinas familiares. A flagship store no Chiado vem abrir um novo capítulo na história da marca e assume-se como montra cultural, onde mais do que vender joias, conta histórias. Histórias que vão das colaborações com artistas como Ana Moura às interpretações contemporâneas de ícones nacionais, como o tradicional Coração de Viana.
O destaque dado pelo The New York Times, um dos jornais mais prestigiados do mundo, reforça a projeção internacional da marca portuguesa, ao mesmo tempo que homenageia a riqueza do artesanato nacional.
