Durante a noite da passada segunda-feira, 1 de dezembro, multiplicaram-se as notícias sobre o estado de saúde do Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa está no Hospital de São João, no Porto, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica devido a uma hérnia encarcerada.
Quando a cirurgia terminou, a presidente do conselho de administração daquele hospital, Maria João Baptista, explicou que "a cirurgia correu bem, não houve complicações, foi perfeitamente atempada", lê-se na CNN Portugal.
Espera-se que o chefe de Estado fique internado "previsivelmente" durante dois dias, mas a recuperação pode demorar duas semanas, um período em que "vai ter mesmo de repousar e diminuir a atividade", acrescentou.
Claro, este diagnóstico acabou por deixar a maior parte dos portugueses com dúvidas sobre hérnias, especialmente as encarceradas. Trata-se de um problema relativamente comum e "estima-se que cerca de 10% da população possa desenvolver um tipo de hérnia ao longo da sua vida", lê-se na CUF.
Segundo a mesma rede de saúde, uma "hérnia é a protrusão (saliência) de um órgão ou estrutura, através de uma abertura natural ou adquirida numa zona mais frágil do corpo" e, normalmente, a localização mais comum é o abdómen.
Pode ser um problema "congénito (presente à nascença) ou desenvolver-se devido a fatores como obesidade, gravidez, obstipação, tosse crónica e esforços excessivos".
Existem diferentes tipos de hérnias, como a hérnia inguinal, a hérnia abdominal mais comum que "consiste na protuberância de conteúdo intra-abdominal na região da virilha". Já a hérnia femoral ou crural acaba por ser semelhante, mas "a saliência está um pouco abaixo da virilha, junto à coxa, através do orifício femoral".
Também existe a hérnia umbilical que "consiste na protusão do conteúdo através do umbigo"; a hérnia incisional, uma "protuberância que ocorre em cicatrizes de cirurgias anteriores"; e uma hérnia epigástrica que "ocorre na linha média do abdómen, entre o umbigo e o tórax, e consiste no prolapso de tecidos devido a fraqueza dos músculos".
Pode ser uma condição assintomática, ou seja, não causar sintomas. Já no caso de uma hérnia abdominal, nas fases iniciais pode ser reduzida, ao "empurrar o seu conteúdo para o interior da cavidade abdominal", mas quando "se torna maior pode ficar encarcerada", o que aconteceu a Marcelo Rebelo de Sousa, e "já não é possível reduzi-la".
"Se o fluxo sanguíneo for interrompido, ocorre estrangulamento que se manifesta por dor, náuseas, vómitos e paragem dos movimentos intestinais com obstipação." Quando isto acontece, a hérnia passa a ser "uma emergência cirúrgica porque o intestino ou outro órgão pode entrar em fase de necrose, causando uma inflamação potencialmente fatal da cavidade abdominal, designada por peritonite".
