Basta uns minutos nas redes sociais para perceber que há uma bebida que se tem destacado. Presente nos feeds de celebridades e influencers por todo o mundo, tornou-se uma verdadeira febre que já chegou a Portugal e não faltam agora cafés especializados ou pratos reinventados com este sabor inconfundível. Falamos da matcha, a bebida tendência que divide opiniões na internet.
Associada a pequenos-almoços partilhados por figuras conhecidas e vendida como uma opção saudável, a matcha conquistou popularidade por ser energética, leve e altamente instagramável. Mas antes de se tornar uma moda digital, já tinha uma longa história.
Segundo o National Geografic, a bebida resulta da moagem das folhas mais jovens do chá verde, cultivadas à sombra e transformadas em pó. Este processo confere-lhe não só a cor intensa e o sabor característico, como também uma maior concentração de teína, clorofila e antioxidantes.
Acredita-se que a sua origem remonta ao Japão do século XII, quando o monge budista Eisai introduziu o seu consumo em cerimónias religiosas, pela clareza mental e sensação de bem-estar que proporcionava. Há ainda relatos de guerreiros japoneses que recorriam à matcha antes das batalhas, em busca de energia e foco. Por esse motivo, ganhou o título de “elixir dos imortais”.
Entre os benefícios mais apontados ao consumo moderado estão a riqueza nutricional, já que contém uma concentração de antioxidantes muito superior ao chá verde comum; e os efeitos positivos na saúde mental, com a L-teanina a contribuir para o relaxamento, a concentração e a redução da ansiedade.
Estudos indicam ainda que o matcha pode ter impacto na prevenção de doenças, graças às catequinas, antioxidantes que ajudam a proteger o sistema imunitário e a reduzir o risco de alguns tipos de cancro, ao mesmo tempo que é aliado no controlo de peso, já que uma chávena tem apenas cerca de três calorias (muito menos do que um cappuccino ou um latte).
Porém, nos últimos meses começaram a surgir cada vez mais queixas associadas ao consumo exagerado. No TikTok, multiplicaram-se vídeos de pessoas que afirmavam ter ido parar ao hospital por beberem vários matchas por dia, relatando necessidade de infusões de ferro no sangue. As partilhas deixaram as redes sociais em choque e levaram médicos a intervir.
@corporatewellnessbff Had to slow down the consumption of the matcha drastically #ironinfusion #anemia #matchalover #sydney #crohns ♬ Originalton - vspseta
Um dos mais comentados foi o Dr. Tim Tiutan, especialista em Medicina Interna, que explicou que “a matcha é rica em EGCG — um antioxidante poderoso que pode até ajudar na prevenção do cancro —, mas que também bloqueia a absorção de ferro. Quem tem défice deve evitar beber matcha com refeições ou suplementos.”
@doctortim.md Matcha & iron absorption #match #matchalover #matchatok #irondeficiency ♬ Bake & Shake - ZayZonic
Como solução, o médico recomenda associar alimentos ricos em vitamina C a ingredientes com ferro, como lentilhas, espinafres, quinoa ou feijão, para potenciar a absorção.
A conclusão é clara: a matcha pode ser um aliado da saúde e até uma bebida cheia de benefícios, mas só se consumida com moderação e tendo em conta as necessidades de cada pessoa. Afinal, até o “elixir dos imortais” tem limites e o que hoje parece uma moda saudável pode transformar-se num risco quando levado ao extremo.
