Um surto de meningite no Reino Unido está a preocupar as autoridades de saúde, depois da morte de dois estudantes e da confirmação de mais de uma dezena de casos. A possível origem poderá estar ligada a um evento social recente em Canterbury, na região de Kent, reacendendo o debate sobre aquela que é uma doença tão rara quanto potencialmente grave.
Mas eis o que importa saber: até que ponto representa uma ameaça para Portugal? Já lá iremos.
O que é, afinal, a meningite?
De acordo com a CUF, a meningite é uma infeção que provoca a inflamação das meninges, as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Trata-se de uma condição médica séria que exige intervenção rápida.
Existem vários tipos de meningite, sendo os principais:
– Viral (a mais comum e, regra geral, menos grave);
– Bacteriana (mais rara, mas potencialmente fatal);
– Fúngica (pouco frequente);
– Parasitária (também rara).
Como se transmite?
A meningite é uma doença contagiosa, embora o modo de transmissão dependa da sua origem. Segundo o Serviço Nacional de Saúde (SNS), meningites virais transmitem-se sobretudo por via fecal-oral; meningites bacterianas propagam-se através de gotículas respiratórias, como tosse, espirros, beijos ou contacto próximo; já as formas fúngicas e parasitárias não se transmitem entre pessoas, estando associadas à inalação de esporos ou ingestão de água e alimentos contaminados.
Sintomas: quando suspeitar?
Os primeiros sinais podem facilmente ser confundidos com uma gripe, o que dificulta o diagnóstico precoce. Entre os sintomas mais comuns destacam-se: febre elevada; dores de cabeça intensas; vómitos; manchas na pele semelhantes a nódoas negras.
Contudo, nos bebés é comum choro persistente, irritabilidade, recusa alimentar e fontanela saliente; já nas crianças e jovens pode haver rigidez no pescoço, sensibilidade à luz, confusão, dores articulares.
Os grupos mais vulneráveis são os bebés e crianças pequenas, assim como adolescentes e jovens adultos, pessoas com o sistema imunitário fragilizado e indivíduos não vacinados (no caso das meningites bacterianas).
Tratamento e possíveis complicações
A meningite viral tende a resolver-se em algumas semanas, na maioria dos casos sem sequelas graves. Já a meningite bacteriana é mais perigosa, uma vez que pode causar convulsões, infeção generalizada e danos cerebrais. O tratamento depende da causa, mas nas formas bacterianas exige antibióticos urgentes em ambiente hospitalar.
Vacinação: a principal arma de prevenção
A vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir a meningite. Segundo a CUF, várias vacinas previnem a "meningite causada por meningococos, pneumococos e Haemophilus", vacinas estas que estão incluídas no Programa Nacional de Vacinação e são gratuitas.
Com ou sem vacina, a melhor forma de prevenir é ter uma higiene rigorosa das mãos, etiqueta respiratória e evitar contacto próximo com pessoas doentes.
Pode o surto chegar a Portugal?
Apesar do alerta no Reino Unido, o risco de um surto semelhante em Portugal é, para já, considerado baixo.
Isto deve-se, primeiramente, à elevada cobertura vacinal; à vigilância epidemiológica ativa; e à resposta rápida das autoridades de saúde.
No entanto, num mundo globalizado, a circulação internacional de pessoas torna impossível excluir totalmente a possibilidade de casos importados.
O surto no Reino Unido serve como lembrete de que a meningite, embora pouco frequente, continua a ser uma ameaça séria. Reconhecer os sintomas precocemente e manter a vacinação atualizada pode fazer toda a diferença.
