Fotografia: reprodução do filme "O Sexo e a Cidade"
Fotografia: reprodução do filme "O Sexo e a Cidade"
Nécessaire

Afinal, a menopausa afeta mesmo o metabolismo, a pele e o humor? Médica responde

Andrea Salgueiro, médica especialista em medicina interna, assina este artigo educativo para esclarecer alguns mitos e dúvidas sobre a menopausa.

Durante muito tempo, a menopausa foi tratada apenas como o fim do ciclo reprodutivo feminino. Hoje, a medicina sabe que essa fase representa uma transição hormonal profunda, capaz de impactar praticamente todos os sistemas do organismo, do metabolismo ao cérebro, da pele às emoções.

Mas afinal, o que realmente muda no corpo da mulher após a menopausa? E por que tantas mulheres relatam ganho de peso, alterações na pele e oscilações de humor mesmo mantendo hábitos saudáveis?

Primeiro vamos perceber o que é a menopausa, e o que vem antes dela: a menopausa é definida como a última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem ciclos menstruais. No entanto, os sintomas costumam surgir anos antes, na chamada peri-menopausa, período marcado por flutuações hormonais importantes.

A queda progressiva do estrogénio e da progesterona não afeta apenas o sistema reprodutor. Estas hormonas exercem funções essenciais no metabolismo energético, na saúde da pele, na regulação do humor, do sono e até da memória.

Dra. Andrea Salgueiro, médica especialista em medicina interna,
medicina desportiva e medicina estética regenerativa e antienvelhecimento | Fotografia: D.R.

Metabolismo: por que o peso muda?

Uma das queixas mais frequentes é o ganho de peso — especialmente na região abdominal.

Isso ocorre por diversos mecanismos:

  • Redução do estrogénio, que participa da regulação da insulina e do metabolismo dos açúcares; 
  • Diminuição da massa muscular, o que reduz o gasto energético basal;
  • Maior resistência insulínica, favorecendo acúmulo de gordura;
  • Aumento do cortisol, hormona do stresse, comum nessa fase;

Mesmo sem aumento da ingestão calórica, muitas mulheres percebem que o corpo "responde de forma diferente" à alimentação.

Além disso, a gordura distribui-se de forma diferente, migrando do "padrão ginecoide" (ancas e coxas – tipicamente feminino) para o padrão androide (abdómen – tipicamente masculino), o que aumenta o risco cardiovascular.

Pele: o impacto vai além da estética

O estrogénio é um dos principais responsáveis pela saúde da pele feminina. Com a sua queda, ocorrem mudanças visíveis e estruturais:

  • Redução de até 30% do colagénio nos primeiros cinco anos após a menopausa;
  • Pele mais fina, seca e flácida;
  • Diminuição da hidratação e da elasticidade;
  • Aumento de rugas e perda do tónus;
  • Maior sensibilidade cutânea; 

Não se trata apenas de envelhecimento cronológico, mas de um envelhecimento hormonal, que pode ser abrupto quando não acompanhado adequadamente.

Por isso, abordagens mais completas, vendo a mulher como um todo, integrando a medicina estética e "integrativa" vão muito além de tratamentos tópicos e pontuais, considerando nutrição, exercício, estímulo de colagénio, equilíbrio hormonal, sono, stress e saúde intestinal.

Humor e cérebro: alterações reais, não "exagero"

Mudanças emocionais na menopausa não são fraqueza emocional nem falta de controlo — são fenómenos neuroendócrinos.

O estrogénio atua diretamente sobre neurotransmissores como:

  • Serotonina (bem-estar);
  • Dopamina (motivação);
  • GABA (relaxamento);

Com a sua redução, podem surgir:

  • Ansiedade;
  • Irritabilidade;
  • Oscilações de humor;
  • Tristeza persistente;
  • Dificuldade de concentração;
  • Queda de memória recente; 

Além disso, os distúrbios do sono — muito comuns nessa fase — intensificam o cansaço físico e emocional, criando um ciclo de exaustão.

Calores súbitos e sintomas vasomotores

Os famosos "calores" não são apenas desconfortáveis. Eles refletem uma alteração no centro de termorregulação cerebral, causada pela instabilidade hormonal.

Podem vir acompanhados de:

  • Sudorese intensa
  • Palpitações
  • Ansiedade súbita
  • Despertares noturnos frequentes

Esses sintomas afetam diretamente a qualidade de vida, produtividade e saúde mental.

Existe tratamento? Sim — e individualizado

A boa notícia é que a menopausa não precisa ser sinónimo de sofrimento.

Hoje, a medicina dispõe de abordagens muito seguras e personalizadas, que podem incluir:

  • Mudanças alimentares anti-inflamatórias; 
  • Exercício físico com foco em aumento da massa muscular;
  • Suplementação individualizada e baseada em exames;
  • Modulação hormonal, quando indicada;
  • Otimização do sono;
  • Estratégias para saúde intestinal e controle do stress;

Cada mulher vivencia a menopausa de forma única. Por isso, o tratamento deve ser individualizado, respeitando história clínica, sintomas, estilo de vida e riscos metabólicos.

Menopausa não é fim, é transição

A expectativa de vida feminina aumentou significativamente. Hoje, muitas mulheres passam mais de um terço da vida no período pós-menopausa.

Encarar essa fase apenas como um declínio hormonal é um erro. Com acompanhamento adequado, é possível atravessar a menopausa com vitalidade, saúde metabólica, equilíbrio emocional e autoestima.

Mais do que tratar sintomas, o objetivo da medicina atual é promover longevidade saudável com qualidade de vida.

A menopausa muda o corpo, mas não define o potencial da mulher. Ela marca apenas o início de uma nova fase, que pode ser vivida com consciência, informação e cuidado.

Coolhunting

Ninguém fala da senhora sentada no desfile Dior? Fez história com o próprio Christian Dior em 1947

Jonathan Anderson apresentou a sua primeira coleção de Alta-Costura na Dior, e a assistir a esta estreia estava uma pessoal muito especial. Diríamos, mais importante do que qualquer celebridade.

Nécessaire