Gaya Marques Pinto | Fotografia: Ana Viegas @anaviegas.photo
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Gaya Marques Pinto: não há nada mais cool do que "fazer o bonito" por um pug como a Gaya

Nesta conversa, a stylist Susana Marques Pinto, fundadora da marca Gaya Marques Pinto, revela como o amor por um pug pode transformar cuidado e estilo em intenção no universo canino. Afinal, um cão também merece ser cool...

Durante demasiado tempo, o universo dos acessórios para cães oscilou entre a funcionalidade sem graça e a caricatura excessiva. Faltava-lhe aquilo que as melhores marcas sempre fizeram melhor: intenção, critério e alma. É precisamente nesse território — onde o cuidado, o design e a emoção contam mais do que rótulos — que nasce a Gaya Marques Pinto, uma marca construída a partir de uma relação afetiva levada muito a sério.

Susana Marques Pinto e Gaya

Gaya é um pug, mas é também liberdade, atrevimento e doçura — três adjetivos que acabaram por definir o ADN da marca construída pela sua tutora, Susana Marques Pinto. “A ideia da marca foi sempre a Gaya, porque ela fica super bem definida pelos 3 adjetivos, livre, atrevida e doce”, explica a fundadora. Foi essa ligação emocional que expôs uma lacuna clara no mercado. “Foi isso que me apaixonou ao ponto de não encontrar nada suficientemente adequado a um ser tão especial.”

A frustração era evidente. “Achava tudo sem graça, sem cor e sem design, tudo ou muito sério ou muito cheio de ‘bonecada’.” A partir daí, o olhar treinado da moda que Susana tem, levou-a a observar o universo canino com outra atenção. “Depois tomei consciência de que os cães são os animais que mais diversidade apresentam.” Uma diversidade que, para a fundadora, merecia ser refletida no design.

Quando chegou o momento de definir cores, a escolha foi pensada para todos. “Pensei em todos eles, pois há opções adequadas a cada cor ou pelo.” Mas também nos donos. “Pensei também que se todos os donos fossem como eu, gostariam que o seu bicho ficasse lindo.” Foi aí que o passado profissional entrou naturalmente na equação. “Aqui entra toda a minha vida passada a escolher roupa adequada a vários propósitos, e aí sem querer entrei no lifestyle.”

A experiência no mundo da moda e do styling ensinou a Susana algo essencial: abertura. “Trabalhar em moda significa também aprender a gostar de coisas diferentes.” A cor surge como elemento central, sem dogmas. “Eu adoro cor, apesar de também gostar muito de preto.” Daí nasceu a lógica criativa da marca. “O que pensei foi muitas opções de cor, para cada cão poder usar o que melhor lhe ficar.” Essa liberdade estende-se a toda a linha de acessórios.

"E consoante o gosto e a vontade do dono, poder usar os restantes acessórios, trela, charms, embalagem para sacos e embalagem de recompensas, ou em monocromático ou em cores misturadas, uma vez que todas as peças se fazem em todas as cores.”

Mas o design nunca é pensado isoladamente. “Cada peça é bonita, rigorosa, confortável e sustentável.” As escolhas de materiais refletem essa responsabilidade. “As peles que usamos são um subproduto da cadeia alimentar certificadas pelo sector responsável.” A durabilidade é testada no quotidiano. “Inclusive a Gaya gosta de se atirar ao mar, e a beleza e a qualidade dos produtos mantêm-se, posso garantir.” O tempo trabalha a favor. “Tal como com qualquer peça em pele genuína pode e fica mais bonito com o uso, pois perde o ar ‘plastificado’. Então, ao comprar uma peça Gaya, acaba por durar mais que as que habitualmente temos no mercado.”

Ainda assim, há uma prioridade inegociável. “Para além do design, há algo mais importante, o conforto e a segurança do bicho.” A marca afirma-se como uma extensão natural do estilo do dono, sem cair no excesso.

"Sim, porque isso é a história da minha vida, e do meu trabalho, é tentar sempre que exista uma harmonia visual e estética subordinada ao estilo de cada um.”

Uma abordagem que resume numa expressão muito própria. “Costumo usar a expressão ‘fazer o bonito’.” E que vê crescer no quotidiano. “Vejo que a preocupação das pessoas em se afirmarem visualmente é cada vez mais presente.”

Questionada sobre identidade da marca, a resposta é clara. “Sem dúvida pela riqueza e variedade da cor, pela sobriedade do design e pela oferta de produtos que façam parte integrante da necessidade dos ‘meninos’.” Uma estética reconhecível, mas nunca ruidosa.

Quando falei em cães como protagonistas estéticos — os chamados it-pets — a resposta é cautelosa, reforçando a ética e o carinho de Susana pelos animais. “Tenho algum receio desta questão. Acho que ter um cão tem de ser um ato de muito amor, muita disponibilidade, e muito conhecimento das necessidades deles.” O risco está em confundir estética com compromisso. “E receio que ao ser considerados it-pets, possam ser adquiridos com essa intenção. Depois, os donos apercebem-se que não estão preparados para os desafios e exigências que eles trazem às nossas vidas e, por vezes, quererem descartar-se deles.”

É nesse equilíbrio que se posiciona a ambição da marca. Entre ser um nicho afetivo e afirmar-se como referência no universo do lifestyle de luxo, a resposta é assumida. “Ambiciona as duas, primeiro porque ela nasceu de amor.” Mas o posicionamento é claro. “Com o crescimento da marca gostaria que ela se posicionasse num universo de algum luxo, pois a qualidade dos produtos assim o justifica.” E há um detalhe que reforça essa experiência. “Ao comprarem um produto estou certa que vão ficar muito surpreendidos com o packaging.” Porque o gesto também importa e “desembrulhar as peças será uma experiência não esperada.”

Quanto ao futuro, o tempo é de escuta e de observação. “Por enquanto, as novas peças ainda são só um projeto.” A marca foi lançada recentemente e a prioridade é compreender o mercado. “Preciso de entender o que os clientes procuram.” Ainda assim, os próximos passos começaram a seguir curso, uma vez que a Gaya Marques Pinto participou, recentemente, "num mercado de Natal de marcas de luxo, também para humanos.” E novas parcerias no horizonte. “Estamos em negociações para entrar numa cadeia de hotéis de luxo pet friendly que espero poder anunciar em breve.”

Sem pressa e sem concessões, é assim que Gaya Marques Pinto se constrói pelo que diríamos ser os fatores mais relevantes para o sucesso de uma marca: a intenção, a responsabilidade e a emoção (tão) bem desenhada.

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