Cristiano Ronaldo regressa a Portugal esta semana com um fato de treino da Givenchy, avaliado em 3.200. Não parece muito, quando ainda há pouco tempo falávamos do seu novo brinquedo que chega a 70 mil milhões de euros. Ainda assim, é curioso pensar que este fato de treino custaria mais do que o passe de vários jogadores na realidade do futebol português.
Quando foi que o desporto-rei passou a ter a moda de luxo como protagonista? E, num tom mais provocador, será que um simples conjunto de treino de um futebolista supera o valor de um jogador profissional?
O futebol moderno: entre talento e imagem
Em tempos, um jogador era medido pelo seu desempenho em campo, pelos seus golos, assistências e outras tantas habilidades que apenas um especialista na área poderia discorrer. Hoje, essa realidade esbate-se perante uma nova ordem, onde os contratos publicitários, as parcerias com marcas de luxo e o número de seguidores nas redes sociais são tão ou mais valiosos do que os minutos jogados. O estatuto de um futebolista já não é definido apenas pelos títulos conquistados, mas pelo impacto mediático que gera.
O caso de Cristiano Ronaldo é exemplar. O seu património pessoal ultrapassa os 500 milhões de euros, e a Givenchy é apenas uma das muitas marcas que habitam no seu guarda-roupa milionário. Mas será que esta ostentação está a criar uma distância crescente entre os grandes nomes do futebol e a essência do desporto que os catapultou para a fama?
No Campeonato de Portugal, a terceira divisão do futebol nacional, não é raro encontrar jogadores cujo passe é negociado por valores irrisórios, muitas vezes inferiores a 3.200 euros. A comparação pode parecer absurda, mas é um reflexo de um futebol que mudou radicalmente. O que outrora era um desporto democrático, acessível e construído a partir de uma paixão pelo jogo, transformou-se numa montra de luxo e status. A ascensão do futebolista-celebridade fez com que, em certos casos, a imagem se sobrepusesse ao talento.
