Miss Sohee. Foto: D.R.
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Os 8 designers que estão a mudar a indústria da Moda

Há uma nova era de designers a moldar a indústria e que competem diretamente com os nomes já estabelecidos. São os ventos necessários da mudança que sustenta a moda.

Há uma década, quem tomava conta das rédeas da indústria da moda eram as grandes casas de luxo. Nomes como Saint Laurent, Dolce & Gabbana, Dior e Louis Vuitton, por exemplo, eram as escolhas dos grandes, e mais exigentes, consumidores. Hoje, com o grande crescimento das redes sociais, a indústria foi-se democratizando e pluralizando. Novos nomes começaram a surgir e a angariar a sua comunidade e com eles trouxeram temas como a diversidade – de género, de roupa, de corpo. Longe das pressões e obrigações que é estar ao encargo dos grandes conglomerados de luxo, estes designers de moda conseguem criar de forma livre.

Estes são os oito nomes que estão no radar da Versa.

Miss Sohee

Silhuetas dramáticas e peças arquitetónicas. Por outras palavras, verdadeiras obras de arte vestíveis. Assim é o universo de Sohee Park, a jovem sul-coreana que faz de Londres a sua casa e já conquistou um lugar no guarda-roupa de nomes como Ariana Grande, Cardi B, Miley Cyrus e Bella Hadid e capas em publicações como a Vogue e a Allure. As suas peças são criadas a partir dos excedentes de tecidos e materiais reciclados, elevando a Alta-Costura a um nível mais sustentável. “Ser sustentável é uma responsabilidade para os designers emergentes,” diz Sohee Park, em entrevista à Vogue. “É por isso que sou atraída para a Alta-Costura - não há produção em massa e apenas é utilizado o necessário.”

Samuel Guì Yang

O seu estúdio de design une Londres e Xangai como se de uma união “living together apart” se tratasse. A sua estética relembra-nos um romantismo que, por vezes, acreditámos estar morto. Mas a marca, fundada por Samuel Guì Yang e Erik Litzen, devolve-nos a esperança por peças meticulosamente bem feitas que estão aptas a enfrentar as rotinas diárias e os momentos especiais das nossas vidas. “Queríamos criar uma marca em que a união de duas culturas diferentes estivesse no centro. Acreditamos que, trabalhando juntos e criando além-fronteiras, podemos alcançar uma verdadeira novidade,” afirmam os designers ao site do LVMH Prize.

Harris Reed

As peças que desenha são livres de género, preconceitos e de conceitos pré-estabelecidos pela moda clássica. São peças feitas com a sociedade contemporânea em mente. Já conquistou nomes como Adele, Harry Styles, Emma Watson, a supermodelo Iman escolheu um dos seus coordenados para exibir na passadeira vermelha do baile da Met Gala, em 2021, a lista de celebridades é extensa e o reconhecimento do criador é uma roda-viva sem sinal de estagnar. Em três palavras-chave: fluidez, dramatismo e (muito) glamour.

Kenneth Ize

As silhuetas estruturadas e as cores vivas são a assinatura de Kenneth Ize. O seu trabalho envolve a reinterpretação dos materiais tradicionais do oeste africano através de uma lente direcionada para a high-fashion. Naomi Campbell é uma fiel seguidora e até já pisou a passerelle do designer. Mais recentemente, Ize colaborou com a marca homónima de Karl Lagerfeld.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Daniel W Fletcher

Se acha que o guarda-roupa masculino tem que ser aborrecido, pense duas vezes. Daniel W. Fletcher está na indústria para provar o contrário. Os homens podem vestir-se de forma tão ousada como as mulheres, melhor, Fletcher ensina-lhes que devem arriscar nas escolhas que fazem. As suas propostas dão um twist aos clássicos intemporais de qualquer guarda-roupa, com a alfaiataria a ganhar espaço na sala de criação.

Peter Do

Numa indústria que vive do hype, Peter Do preocupa-se apenas com a roupa. "Penso que é tempo de voltar à confeção de vestuário (…) Sinto que já ninguém cria roupa, toda a gente cria moda”, confessou o designer à revista Zeitgeist. E é sobre a roupa que a sua marca homónima se baseia, ou seja peças intemporais que criam o guarda-roupa perfeito para qualquer ocasião, para os dias de trabalho, aos momentos de lazer. Para todos aqueles que se sentiram órfãos depois da retirada de Phoebe Philo da indústria, Do é uma escolha certeira, ou não fosse ele um discípulo da criadora britânica.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Chopova Lowena

O grunge está bem de saúde e recomenda-se. Emma Chopova e Laura Lowena, as criativas por detrás do nome Chopova Lowena, que o digam. Esta dupla pega nos excedentes dos tecidos e transforma-os em peças de desejo. A saias com padrões búlgaros tornaram-se num verdadeiro culto que já conquistou as estrelas do street style e dois nomes de peso da pop, Madonna e Dua Lipa.

Nensi Dojaka

A marca homónima da designer albanesa nasceu em 2017, enquanto projeto de licenciatura na Central Saint Martins de Londres e, logo de início, a estética dos anos 90 foi notada. A referência é Helmut Lang e a musa Kate Moss. As peças são minimalistas, mas tudo menos aborrecidas. Designs assimétricos, peças desconstruídas, tecidos transparentes e uma paleta de cores escura compõem o portefólio de Nensi Dojaka – que foi galardoada com o LVMH Prize e um prémio do British Fashion Council.  

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