Chanel: laços, pérolas e um certo déjà vu
Seis meses após a saída abrupta da francesa Virginie Viard, Mathieu Blazy ocupou a direção artística da Maison, mas só apresenta a primeira coleção em setembro. Sem ninguém ao leme, Chanel não nos surpreende no melhor dos sentidos. Brinca com proporções e sobreposições, numa espécie de homenagem aos seus casacos icónicos. E claro que não há clássicos Chanel sem tweed... e muito, ao lado de pérolas e laços. Mas a Casa parece determinada a seduzir uma nova geração, sem assustar os clientes fiéis, oferecendo um twist moderno, ainda que subtil. Plumas, azuis profundos, transparências e brilhos misturaram-se com um mood casual – sim, jeans.
O desfile, realizado no Grand Palais, contou ainda com uma monumental fita preta a serpentear até ao teto – porque nada grita mais "luxo tradicional" do que uma gigantesca referência ao próprio branding. Nostalgia resume tudo o que vimos, e tudo o que vimos foi o melhor de Chanel.
Dior: uma vénia a Galliano e um adeus anunciado?
Maria Grazia Chiuri, à frente da Dior, prestou homenagem a John Galliano ao recuperar a icónica t-shirt dos anos 2000 – um piscar de olho ao passado, que só nos lembra Carri Bradshaw na série Sexo e A Cidade, mas talvez um indício de que o seu próprio tempo na Casa de moda pode estar a chegar ao fim...
A coleção refletiu uma elegância discreta, quase utilitária, que veste a mulher contemporânea sem grandes excentricidades. Um luxo silencioso, talvez demasiado silencioso, para uma altura em que a moda parece precisar de gritar para ser ouvida. Ou não... afinal, parece ter funcionado para Chanel.
Num momento em que o luxo navega águas turbulentas, Chanel e Dior jogam pelo seguro. Ambas apostam na nostalgia com pequenas doses de modernidade, oferecendo ao público o esperado – nem mais, nem menos. Será suficiente para tempos de mudança?
