A carta de amor que Jacquemus escreveu para 2027 renova o guarda-roupa deste verão
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Francisca Salema
- 30 jun, 18:19
Há marcas que nos mostram roupa. E há marcas que nos lembram porque nos apaixonamos por moda. Jacquemus mostra-nos como a inspiração de verão para 2026 pode ser uma carta de amor sobre a primavera do ano que ainda não chegou.
Jacquemus apresenta "Le Bohneur" para 2027
Jacquemus 2027 spring "Le Bonheur"
O desfile primavera 2027 da Jacquemus, "Le Bonheur", apresentado na Córsega, não foi apenas mais um exercício de styling perfeito ou uma sucessão de peças destinadas a esgotar em imagens pelas redes sociais. Foi uma carta de amor ao verão, à simplicidade e à ideia (quase esquecida) de que o melhor da moda está na forma como uma peça nos faz sentir.
Chamo-lhe o ingrediente secreto na receita de Simon Porte Jacquemus. Enquanto tantas Casas desenham para um qualquer impacto, Simon continua a desenhar para uma emoção. Não há excesso. E volta a não haver espetáculo pelo espetáculo. É Simon, é Jacquemus, de uma previsibilidade simples e necessária.
Há vestidos que parecem respirar, camisas que pedem para ser amarrotadas pelo vento, saias que acompanham a silhueta e acessórios que nunca competem com quem os veste. Jacquemus insiste numa ideia quase revolucionária: fazer roupa bonita.
E isso, nos dias que correm, é muito mais difícil do que parece.
Há vários anos que a marca raramente falha. Não porque reinvente a roda em cada coleção, mas porque compreendeu uma verdade que muitas perderam pelo caminho: as mulheres não sonham com tendências. Sonham com peças. Com aquelas peças que sobrevivem ao verão seguinte, à próxima estação e, idealmente, a uma década inteira. O vestido branco perfeito. A camisa de algodão que melhora com cada utilização. As sandálias que nunca nos aborrecem. O chapéu de palha que parece ter nascido para a fotografia de férias que nunca foi planeada.
É por isso que este não é um artigo sobre tendências de moda, mas um convite a um guarda-roupa de verão leve e simples, ou à inspiração que podemos retirar deste desfile. Nem todas teremos um vestido Jacquemus no guarda-roupa. O verdadeiro exercício de estilo está em perceber a mensagem por detrás da coleção e traduzi-la para um guarda-roupa real, seja com peças de um designer que amamos, seja com peças que façam sentido para a nossa vida, para o nosso orçamento e, sobretudo, para a nossa identidade.
Porque aquilo que este desfile nos deixou não foi uma lista de compras. Foi uma forma de olhar para o verão.
Voltamos a desejar o vestido branco sem esforço, a camisa masculina de algodão, a saia de linhas limpas, o lenço de seda atado ao cabelo, a cesta de ráfia que atravessa todas as férias sem nunca parecer datada. Peças discretas, mas nunca aborrecidas. Simples, mas profundamente sofisticadas.
Num mercado onde o luxo insiste tantas vezes em ser reconhecido à distância, Jacquemus faz precisamente o contrário. As suas peças não pedem para ser vistas; pedem para ser usadas. Num tempo em que tudo parece feito para durar quinze segundos num ecrã, Simon Porte Jacquemus continua a desenhar roupa para durar uma vida inteira.
Coleção após coleção, a marca recorda-nos que a moda continua a ser, acima de tudo, uma história de desejo. E o desejo, quando é verdadeiro, nunca depende apenas de quem pode comprá-lo.
Na galeria de imagens acima, inspira-te nesta viagem feliz pelo guarda-roupa de verão.
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