Do universo das famílias reais, muito do que conhecemos (ou pensamos conhecer) é através de notícias, livros ou de documentários que os próprios protagonizam, como a série Harry & Meghan da Netflix com os duques de Sussex. Também através de entrevistas exclusivas e raras ou de declarações oficiais (hoje até nas redes sociais), em alguns casos para confirmar ou desmentir o imaginário que vamos construindo, muitas vezes a partir do que fontes anónimas contam à imprensa.
Mas existe um nome em Portugal que conhece, de facto, várias figuras relevantes da realeza: Adriano Silva Martins. Formado em Direito pela Universidade de Navarra, em 2005 começa a trabalhar na agência de notícias Korpa (atualmente GTres), em Madrid, e torna-se jornalista creditado pela Casa Real espanhola. Um "título" que o leva, por exemplo, a viajar com os reis Juan Carlos e Sofia, depois com Felipe e Letizia, e a cruzar-se com outras famílias reais pelo mundo.
"Diria que o que mais me fascina é a tradição, a herança histórica e a genética. Claro que de um ponto de vista estético, a pompa e circunstância também ajudam para que tudo seja apelativo. Mas não há duas monarquias iguais. A espanhola, por exemplo, não é tão pomposa como a britânica e não deixa de ser interessante. De um ponto de vista sociológico, estar perto de reis e rainhas, príncipes e princesas, é muito interessante, a meu ver, porque são pessoas que vivem uma realidade muito diferente. São extraterrestres com vestidos de Alta-Costura", diz nesta entrevista à VERSA, que teve como cenário todo o charme e a história do Valverde Sintra Palácio de Seteais.
Atualmente, Adriano Silva Martins é apresentador e editor do programa V+ Fama do novo canal V+ TVI, mas para trás ficam anos de reportagens, de artigos publicados, por exemplo no El Mundo, sobre a família real espanhola e não só. A VERSA pediu-lhe, com base na experiência única, para nos traçar o perfil de alguns membros da realeza, para conhecermos o que até hoje não conhecíamos.
Sofia da Grécia Rainha emérita de Espanha
Da Casa Real espanhola, a Rainha Sofia é, para Adriano Silva Martins, a menos acessível, mas nem por isso menos interessante.
"É uma mulher formatada para ser rainha. Se não tivesse sido rainha, teria sido mulher de um presidente da república ou comissária europeia. É uma mulher que nasceu para representar um país, sem dúvida", revela-nos.
"Não digo que a sua natureza não seja ser empática, mas é difícil compreender certas situações quotidianas quando se é bisneta, neta, filha, mulher e mãe de um rei. O seu esquema mental é muito diferente ao de alguém comum", acrescenta.
Juan Carlos Rei emérito de Espanha
"O rei Juan Carlos é um 'político" de altíssimo nível'. É padrinho de casamento de uma grande amiga minha e estivemos juntos algumas vezes fora do meu trabalho. Cometeu erros que lhe custaram o trono, mas não deixa de ser a personalidade espanhola mais importante do Século XX em Espanha", detalha Adriano Silva Martins.
Rei Felipe VI de Espanha
Com apenas três palavras, Adriano Silva Martins define a personalidade do Rei Felipe VI: rigoroso, reflexivo e ponderado. Dada esta postura, é fácil criar relação com o monarca espanhol e, por isso mesmo, o especialista em assuntos reais afirma: "É alguém a quem confiaria o maior dos segredos".
Rainha Letizia de Espanha
"Letizia é uma carta fora do baralho, mas que brilha mais que todos. Há quem nasça rainha e há quem nasça para o ser. Letizia personaliza o que é ser rainha no século XXI, gostem os puristas ou não. Se Felipe tivesse casado com uma dondoca... a história seria muito diferente", começa por dizer.
Sobre a Rainha de Espanha, sublinha ainda que é inteligente, determinada, hiperativa, nervosa, impulsiva, "perfecionista doentia" e "brilhante em tudo o que faz", personalidade que é também o reflexo da forma como se teve de moldar ao papel que assume hoje.
"Deixou de ser quem era para ser outra coisa por amor. Acredite-se: por amor. Só por amor podemos renunciar a uma parte significativa do que somos. Letizia já era Letizia antes de se casar com um príncipe e não é fácil para alguém com as suas capacidades deixar de ser o que se é e o que se lutou, para ser a mulher de alguém. Com os anos tem conciliado melhor o que era com aquilo que é e representa. Tê-lo conseguido sem ter colapsado é um milagre. E sei do que falo…".
Rainha Camilla
Foi num jantar no hotel Ritz de Madrid, a convite da Fundação Hispano-Britânica, que Adriano Silva Martins teve oportunidade de conversar com a Rainha Camilla do Reino Unido. Nessa ocasião, percebeu que tinha perante si uma mulher "fascinante, charmosa e carismática".
Tal como a Rainha Letizia, Camilla não teve um percurso fácil até chegar ao trono, mas neste caso em (quase) nada mudou a sua essência.
"Acho que não há mulher no Reino Unido que tenha sofrido maiores humilhações e que tenha sobrevivido sem quebrar. Hoje é rainha, mas acho que se não fosse para ela seria igual. Camilla é 'uma tia de fados e touros' à inglesa. É muito mais feliz no campo, com umas galochas e um casaco encerado do que na corte. Tem em comum com Letizia o facto de ter tido uma vida mais normal antes de pertencer à família real e quando estás na presença dela é fácil sentir que estás a conversar com uma tia próxima e cúmplice. Camilla e Letizia têm essa natureza de 'tia rebelde' que te deixa fumar e beber às escondidas quando és adolescente e essa sensação de lufada de ar fresco não é comum entre as cabeças coroadas".
Princesa Carolina do Mónaco
"Carolina de Hannover (coloquialmente chamada do Mónaco) também merece destaque. Além de ser a única com quem dancei com copo e cigarro na mão – ela, porque eu não fumo – é o glamour em pessoa. O Mónaco para mim é ela. O resto não interessa", afirma o especialista em realeza.
