Dior | Fotografia: ALAIN JOCARD/AFP via Getty Images
Coolhunting

Sabemos o preço de uma carteira Dior, mas quanto custa fazê-la?

O que está por detrás da produção de uma carteira Dior? A questão foi levantada numa nova investigação que tem muito a dizer sobre uma carteira de quase 3 mil euros.

Quando olhamos para o preços de uma carteira Dior, sabemos que nela está envolvido o custo dos materiais, da produção e o próprio nome da Maison. Contudo, uma investigação sobre uma subsidiária italiana da LVMH que fabrica carteiras para a Dior está a mostrar que talvez o valor pago por uma carteira da marca não represente bem aquilo que pensamos. 

Pode uma carteira custar em loja cerca de $2.7803 dólares (o equivalente a €2.574) e ser pago aos fornecedores apenas $57, isto é, cerca de €52? Segundo os documentos da investigação a que a Reuters teve acesso, pode e em causa está um modelo com o código PO312YKY.

Parece que estes valores são o reflexo não só do trabalho mal pago, como da exploração alegadamente feita sobre os trabalhadores de empresas chinesas a trabalhar nos arredores de Milão. O documento revela que dormiam nas instalações para que houvesse “mão-de-obra disponível 24 horas por dia”, desempenho esse que era controlado através dos dados de consumo de eletricidade. 

Os documentos afirmam aquilo em que é difícil acreditar, estando apenas acusados, para já, os responsáveis das empresas subsidiárias e não a Dior. Esta, por decisão do tribunal, fica sob administração judicial durante um ano. 

Mas a Dior não é caso único. Também o grupo Giorgio Armani está a ser investigado pela subcontratação de fornecedores, estando em causa, mais uma vez, a falta de condições dos trabalhadores e o pagamento de $99 dólares (€91,68) por uma carteira que é vendida ao público por $1.900 (cerca de €1.760). 

Um porta-voz do grupo defendeu-se dizendo que "a empresa sempre adotou medidas de controlo e prevenção para minimizar o risco de abusos na cadeia de abastecimento", mas nem por isso escapa à decisão dos juízes, ficando também sob administração judicial. 

O que está a acontecer com a Dior e a Giorgio Armani é para o tribunal "um método de fabrico generalizado e consolidado", que acontece não só no mercado de luxo, como em todo o mundo da moda. Basta olhar para o relatório da Transform Trade divulgado em 2023 para perceber que marcas de fast fashion como a Zara, H&M ou Primark são acusadas de explorar os trabalhadores que produzem as roupas das marcas.

As investigações vão continuar e até ser esclarecida a verdade das acusações será inevitável olhar para as etiquetas com outros olhos.

Evasão

Ser cool é voltar ao Algarve para ficar neste hotel de luxo

Fomos pelo festival Aura, mas é a estadia num dos melhores hotéis do Algarve que nos convida ao primeiro passo de dança.

Coolhunting