A partir desta segunda-feira, 27 de janeiro de 2025, Paris voltou a ser o epicentro da inovação e do melhor que há na moda, a começar pela apresentação da coleção de Alta-Costura primavera-verão 2025 da Schiaparelli. Sob a direção criativa de Daniel Roseberry, a maison reafirmou a sua posição como uma das mais visionárias no cenário da moda, incorporando a tradição surrealista de Elsa Schiaparelli com uma abordagem moderna e altamente provocativa.
Quando em 2024 falávamos de uma “reinvenção” da Alta-Costura por Galliano, onde testemunhávamos a história de um Paris burlesco que poderia ser aplaudida por grandes pensadores do século XIX, era difícil imaginar que um novo espetáculo de moda - onde o drama soubesse ser trabalhado como uma forma de arte que nos falasse em emoções - estivesse por perto. E porquê falar Galliano? Parece agora existir uma conVERSA sexy retomada por Roseberry. Enquanto o mestre da estética exuberante provocou uma catarse teatral em 2024, Schiaparelli convida-nos à introspeção artística...
O surrealismo pode e deve ser moderno
A coleção da Shiaparelli trouxe um fascínio contemplativo, com peças que equilibram o surrealismo elegante e a perfeição da técnica, criando uma atmosfera de reverência e encanto, com uma profunda criatividade surrealista que sempre fez parte do ADN da Casa de moda. Os looks desfilaram como obras de arte em movimento, misturando formas anatómicas esculpidas, detalhes dourados exuberantes e materiais que desafiam as convenções tradicionais da moda.
Destaque para os corpetes esculturais (sim, é difícil não lembrar aquela mulher de Galliano…) que imitam torsos humanos, criando uma tensão entre a fragilidade do corpo e a força do metal. Este contraste dialogou com elementos de inspiração clássica e futurista, sem exageros, numa fusão que apenas a Schiaparelli consegue dominar.
A paleta cromática foi um dos pontos altos do desfile, explorando tons como o marfim, passando pelo icónico "ouro Schiaparelli". A introdução de tecidos translúcidos combinados com texturas opulentas criou uma sensação de leveza paradoxalmente sólida, reforçando a ideia de uma moda que não só se veste, como desafia.
Os materiais também merecem o seu protagonismo, como o couro trabalhado, a organza e os bordados tridimensionais que remetem às obras surrealistas de Salvador Dalí, um colaborador histórico de Elsa Schiaparelli. Cada look, uma narrativa diferente, tecida com maestria em cada linha e forma.
Acessórios, um capítulo à parte
Com colares e brincos esculturais com um qualquer simbolismo mitológico, ou bolsas em forma de olhos e mãos que voltam a sublinhar elementos surrealistas da marca, os acessórios merecem destaque. E os sapatos? Completaram o cenário onírico do desfile, provando que a Schiaparelli continua a explorar as fronteiras entre o que é wearable e o que é arte, rasgando os limites da Alta-Costura.
