A marca de ultra fast fashion Shein tornou-se uma das mais populares do mundo, mas tem estado envolta em várias polémicas devido às suas políticas laborais e impacto ambiental.
Uma investigação do jornal sueco Aftonbladet seguiu o trajecto de devolução de cinco artigos comprados online através da colocação de Air Tags, localizadores GPS da Apple, nas embalagens.
Os cinco artigos foram inicialmente transportados pela empresa de logística Yun Express Nordic em Malmö, que tem sido sancionada pelo Conselho Nacional Sueco para Litígios de Consumidores, mas tem ignorado as decisões.
Depois dessa primeira etapa, o jornal verificou que uma das encomendas da Shein foi encaminhada para um enorme centro logístico em Breslávia, na Polónia. O maior armazém, revelou o jornal, mede 750 metros de comprimento e cobre uma área equivalente a 26 campos de futebol, o que, segundo habitantes locais, tem provocado impactos ambientais na zona.
A Shein alega que a maior parte das suas devoluções eletrónicas europeias são revendidas na Europa sem serem enviadas para outras partes do mundo, mas a investigação do Aftonbladet revelou que três em cada cinco devoluções saem da Europa.
Três das peças de vestuário foram enviadas para Iquique, no Chile, uma cidade conhecida por receber remessas massivas de vestuário em segunda mão. Cerca de 40.000 toneladas de roupa são despejadas e queimadas todos os anos no Deserto do Atacama, provocando um desastre ambiental.
O destino final de três dos artigos da Shein rastreados foi a Bolívia, sendo transportados através de uma rota de contrabando. Os AirTags trasmitiram sinais GPS a partir de um bairro em Oruro, controlado por gangues.
O artigo que viajou mais percorreu 21.314 quilómetros de Estocolmo a Cochabamba, na Bolívia.
