Primeiro, foi Mustique, agora é Gandaia. Muita coisa mudou na marca fundada pelos dois amigos de infância, Vera Caldeira e Pedro Ferraz, marca essa que vai apresentar uma nova coleção na 65.ª edição da ModaLisboa, que tem como tema "Base".
Na base da nova coleção da marca Gandaia está uma expressão bem portuguesa, "Volte Sempre", que pretende homenagear as nossas raízes ao trazer novos cortes e silhuetas, que vão ter lugar nos looks de primavera/verão 2026.
A Gandaia é a versão mais madura da anterior Mustique, que tem como objetivo estabelecer-se em Portugal e além fronteiras, sem limites. No fim, a ideia é que todos reconheçam uma peça Gandaia, sem que seja preciso dizê-lo.
A VERSA foi conhecer a essência da marca Gandaia e, em entrevista com os fundadores, revelamos tudo o que se pode esperar da nova coleção.
Da Mustique à Gandaia, o que motivou a mudança?
Queríamos crescer além dos limites e precisámos pensar como o poderíamos fazer. A Gandaia surgiu no processo criativo de expandir a Mustique. Dizemos que é a versão 2.0, mais madura, que bebe muito da nossa primeira marca, mas ganha vida com algumas novas características, a juntar aos padrões, temos agora opções mais clean e neutras.
Como foi esse processo de evolução?
Foi muito natural. À medida que fomos crescendo, a marca e nós, enquanto empreendedores, fomos construindo a nossa própria visão da moda. O mercado evolui e quisemos evoluir também. O tempo foi-nos dando as respostas que precisávamos e, achamos nós, no momento certo, fizemos a transição. A aceitação do nosso público tem sido muito positiva.
A Gandaia nasce com uma forte ligação à autenticidade e à liberdade. De que forma esses valores se refletem nas peças que apresentam?
Nós procuramos inspiração nas coisas mais simples da vida: nas ruas que atravessamos várias vezes ao dia, nas pessoas que se cruzam connosco, nas várias cores do sol em Lisboa, nos azulejos mais antigos. A autenticidade e a liberdade das peças Gandaia são um espelho do que os nossos olhos veem e isso dá-lhe, no nosso entender, uma identidade muito própria.
A ModaLisboa é uma montra de grande visibilidade. Que mensagem pretendem transmitir ao público e à indústria com a nova coleção primavera/verão 2026?
Já é a segunda vez que o fazemos. Sabemos que a ModaLisboa é uma montra de grande visibilidade, mas mais do que ser visto, queremos unir-nos a quem faz pela moda em Portugal. Ter uma marca, contribuir para a indústria, apostar em fábricas e mão de obra nacionais é o que nós já fazemos desde 2020 – momento que começámos a produzir exclusivamente em Portugal. Acreditamos que é necessário ir mais além, fazer parte da história, ter uma voz e fazer-nos ouvir. Fazer parte da ModaLisboa dá-nos uma nova dimensão e permite-nos contribuir de forma mais ativa para o setor.
"Volte Sempre" é uma expressão muito portuguesa. O que vos inspirou a transformá-la no fio condutor da coleção?
Acreditamos muito no poder de uma boa expressão portuguesa. “Volte Sempre” traz a todos os portugueses a mesma sensação de pertença. Num restaurante, numa loja, habituámo-nos a ouvi-la. Queríamos homenagear as nossas raízes. A nova coleção de verão 2026, que agora apresentamos, traz novos cortes e silhuetas, e reforça a evolução da Gandaia – mais madura e elegante, mas sempre irreverente.
Como conciliam a identidade portuguesa da Gandaia com a ambição de conquistar mercados internacionais?
Precisamente para levar o que de melhor se faz em Portugal, além-fronteiras. As nossas lojas físicas recebem muitos turistas e online também vendemos muito para fora. Portanto, para nós, faz todo o sentido fazer este caminho. E mais do que falarmos outras línguas ou tentarmos adaptar-nos a outros mercados, queremos é que se aproximem da nossa identidade, da nossa cultura, do que nós somos.
A marca combina irreverência contemporânea com sofisticação clássica. Como equilibram essa dualidade sem perder a coerência estética?
Essa fusão acontece de forma muito natural. Procuramos elevar a qualidade das nossas peças, sempre em busca dos melhores tecidos e das técnicas de produção mais sustentáveis. E aliamos isso às cores, aos padrões e à criatividade que já faz parte do ADN Gandaia. Sabemos que é fundamental permanecer coerente para manter o nosso público e agregar valor à nossa marca.
Que papel gostariam que a marca desempenhasse no panorama da moda portuguesa e internacional nos próximos anos?
Queremos estabelecer a marca em Portugal e em mercados internacionais. Continuar a crescer, porque não temos limites. Sabemos que ter uma marca em Portugal é um desafio, por si só. Mas nós somos persistentes e acreditamos muito naquilo que estamos a construir. O nosso maior desejo é reconhecerem a marca, naturalmente, sem precisarmos dizer “é Gandaia”. Reconhecerem a qualidade nas nossas peças e uma imagem que seja tão nossa que se torne inquestionável.
