Depois de um dia marcado por conversas que convidaram a "pensar em conjunto a moda, as artes visuais, o futuro, a tecnologia, a criatividade e o diálogo entre disciplinas" — como explicou Joana Jorge, a diretora executiva da Lisboa Fashion Week, em entrevista à VERSA — a ModaLisboa regressou para um segundo dia de desfiles e apresentações.
Durante a tarde de sexta-feira, 13 de março, múltiplos criadores, incluindo Kolovrat, Drionadream, Francisca Nabinho e Çal Pfungst, apresentaram novas coleções, e o dia terminou com o concurso Sangue Novo que destaca o trabalho de jovens designers.
Kolovrat
Por volta das 17h, o CAM - Centro de Arte Moderna Gulbenkian esteve de portas abertas para receber os interessados em conhecer a nova coleção da marca homónima de Lidija Kolovrat que não foi apresentada com um desfile convencional, mas sim num formato performático sob o tema "as sementes precisam de quebrar para crescer".
Inspirada no mito Deméter e Perséfone, assim como no ciclo das estações, a designer criou uma coleção que traduz, através das formas e dos materiais, os ritmos naturais de crescimento, pausa e renovação.
Entre as propostas, as silhuetas fluidas e os tecidos leves convivem com estruturas mais definidas, camadas transparentes e volumes orgânicos. Também os padrões e detalhes das propostas evocam elementos botânicos e naturais. Já a paleta cromática acaba por reforçar a narrativa, através de tons escuros e profundos, verdes luminosos, azuis e reflexos metálicos.
Francisca Nabinho
Mais tarde, o público reuniu-se no Pátio da Galé para conhecer a nova coleção de Francisca Nabinho, uma lufada de ar fresco em tons pastel e na forma de criações que transformam o ato de vestir num gesto de descoberta.
Em Lucky — o nome da coleção — as primeiras propostas parecem mais livres, experimentais e alguns elementos, como estrelas, padrões geométricos e acessórios expressivos, aparecem como símbolos dessa curiosidade inicial. Gradualmente, a coleção começa a ficar mais definida e coerente, as silhuetas ganham estrutura, os conjuntos tornam-se mais completos e a linguagem visual começa a consolidar-se.
Também o calçado, criado especificamente para a coleção, assume um papel principal na coleção, com botas de cano alto e detalhes ornamentais que prolongam a narrativa estética das peças.
É ainda importante falar sobre as joias que completam os coordenados e que resultam de uma colaboração com a Joalharia do Carmo. Para esta coleção, os códigos tradicionais da joalharia nacional foram reinterpretados, adaptando as peças feitas à mão de filigrana certificada à estética de Francisco Nabinho.
Sangue Novo
Sexta-feira foi ainda dia de Sangue Novo, a plataforma da ModaLisboa dirigida à comunidade académica que apoia designers em início de carreira e que os acompanha, ao longo de meses, enquanto desenvolvem as suas coleções.
Cinco finalistas — Adja Baio, Ariana Orrico, Mafalda Simões, Mariana Garcia e Usual Suspect -—apresentaram as suas propostas na Lisboa Fashion Week.
No final da noite dois designers receberam prémio. Macho Alfa, uma coleção de menswear de Ariana Orrico que explora a tensão entre a virilidade e a vulnerabilidade masculinas, conquistou o Prémio ModaLisboa x Burel Factory.
Mafalda Simões apresentou Soft Tissue - Bodies Under Pressure, uma coleção que destaca o tricô e o croché, e acabou a noite a receber o Prémio ModaLisboa x Istituto Europeo di Design.
