A 63.ª edição da Lisboa Fashion Week vem no SINGULAR, mas fala no plural. Ou consegue ser singular e plural ao mesmo tempo. O que a torna, de facto, singular. MODALISBOA SINGULAR – o tema desta edição, conjuga a relação entre a capital e a Semana de Moda, o presente que há no futuro, a diversidade que nos torna singulares. Enquanto cidade. Enquanto moda nacional. Singular é ser único. Mas sendo de todos e para todos.
Desse plural singular, destacamos algumas das criações que desfilaram no Pátio da Galé este sábado. A começar com o COLECIONISMO de Arndes que nos leva para a prática de reunir, organizar e preservar objetos de interesse pessoal ou valor histórico, artístico ou emocional, que mais do que só uma paixão, pode ser uma expressão pessoal e ligação à história e cultura. Inspiração, mais ou menos literal, em algumas das peças da coleção.
A coleção primavera/verão 2025 apresentada por Carlos Gil - FANTASY explora a imaginação e a criatividade, ligando a modernidade à tradição. À sua equipa juntou especialistas em bordados com missangas de origem indiana, que com a sua arte nos fazem sonhar com a próxima estação. Uma coleção cheia de detalhes (em golas, decotes, mangas…), que junta os bordados tradicionais a motivos inovadores 3D, traduzindo-se em estampados vibrantes com cavalos-marinhos, pinguins, dálmatas, tartarugas, estrelas-do-mar ou golfinhos.
Bordados que lembram paisagens naturais com elegância, texturas cintilantes que traduzem delicadeza, representando a dualidade que é a mulher atual, sonhadora e determinada. Também a linha masculina está alinhada com este universo de fantasia, combinando elegância e funcionalidade e em tons naturais.
Nesta edição da MODALISBOA, Lidija Kolovrat faz uma reflexão da sua vida em Portugal nos últimos 30 anos e com que tem criado o seu vocabulário artístico. E chega a uma coleção com duas dimensões: formas grandes e planas e estruturas que evocam vibrações, que tocam o designer da mesma forma que o Fado toca. E tudo tocado entre o preto, o branco, o metalizado e o amarelo, cor, que de resto, se destaca em várias outras coleções apresentadas neste dia.
Ricardo Andrez diz-nos que “AND SUDDENLY, YOUR SCROLL DOWN IS OVER”. Num mundo com demasiadas imagens e informação, traz roupas reais, relevantes, acessíveis, sustentáveis e úteis. Sem distrações. Uma coleção com cores solares e vibrantes, com peças artesanais criadas a partir de clássicos reformulados.
“O conceito base é o de roupa real. Quis quebrar um pouco a nível estético o que tenho vindo a apresentar, coleções que chamaria de poluídas, quis limpar essa imagem. Roupa real é a mais simples, com que andamos, facilmente, na rua. Sem pretensão, é a roupa pela roupa” explica o designer à VERSA.
Mas o simples é, afinal, só, aparentemente, simples. “Uma parte forte da coleção é camisaria que é uma estrutura rígida, não muito elaborada em termos de design, mas é cheia de botões que se consegue desconstruir e usar de muitas formas. O meu trabalho tem sido mais como um statement, agora quis ser mais clean, mas há uma parte que chamei de artesanal com denim cheio de rebites postos um a um. Uma peça simples, aparentemente, mas há ali bastante trabalho. É a valorização da peça de roupa” acrescenta.
O dia contou ainda com Luís Carvalho e o seu ROUND & AROUND que simboliza um novo ciclo com o começo de uma nova década para a marca. A inspiração para a coleção primavera/verão 2025 vem do fotógrafo holandês Bastiaan Woudt, conhecido pelas suas fotografias minimalistas com linhas limpas e geométricas.
Corte oversized e reto, detalhes de recortes e encaixes circulares, materiais estruturados como tafetá e jacquard, o padrão polka-dots e o amarelo a destacar-se no contraste do preto/branco e do rosa/azul.
Vê a Galeria de Imagens com as coleções.
