É tempo de as mulheres terem uma pausa | Fotografia: Unsplash
É tempo de as mulheres terem uma pausa | Fotografia: Unsplash
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Quando as “supermulheres” escolhem fazer uma pausa – algo importante acontece

Ser mulher é, nos dias que correm, uma tarefa exigente. No mês de março, é tempo de refletir e de fazer uma pausa através do artigo educativo assinado pela Psicóloga Clínica Helena Paixão.

Drª Helena Paixão, Psicóloga Clínica e Founder&CEO da Clínca Helena Paixão – Psicologia, Mindfulness e Desenvolvimento Pessoal

No passado dia 7 de março tive o privilégio de subir ao palco do Woman Summit, em Cascais, na véspera do Dia Internacional da Mulher. Um evento que reuniu centenas de mulheres para conversar, refletir e partilhar experiências sobre liderança, carreira, bem-estar e propósito.

Enquanto psicóloga, fui convidada a falar sobre um tema que observo diariamente na prática clínica e na vida de muitas mulheres: “As supermulheres também precisam de pausa.”

E talvez uma das coisas que mais me marcou nesse momento não tenha sido apenas o conteúdo da palestra, mas a forma como a sala estava. Lotada de mulheres atentas, presentes e interessadas. Uma sala silenciosa e conectada.

Há algo de muito poderoso quando um auditório inteiro reconhece, quase ao mesmo tempo, uma verdade que muitas vezes vive em silêncio dentro de cada uma de nós.

Vivemos numa época em que muitas mulheres cresceram com a mensagem de que podem, e devem, fazer tudo. Ter carreira, cuidar da família, investir em si mesmas, ser independentes, resilientes, disponíveis, produtivas e emocionalmente fortes. E essa conquista é extraordinária. Porém, trouxe também um desafio silencioso: a dificuldade em alternar modo fazer com modo ser e sentir.

Na palestra falámos precisamente sobre isso. Sobre a cultura da hiperprodutividade, sobre a pressão interna para estar sempre à altura, sobre o cansaço que muitas mulheres sentem, mas que raramente verbalizam. E sobre algo que continua a ser muitas vezes interpretado de forma errada: dar resposta à necessidade de abrandar não é falhar.

Pelo contrário. Identificar necessidades, forças e vulnerabilidades, redefinir limites, fazer pausas conscientes, recuperar energia e cuidar da saúde física e mental são das formas mais inteligentes de sustentar uma vida exigente.

E naquele auditório percebeu-se algo muito claro: quando este tema é colocado em voz alta, muitas mulheres sentem um enorme alívio. Como se alguém finalmente tivesse dito algo que elas próprias pensam, mas nem sempre se permitem reconhecer.

No entanto, o Woman Summit foi muito mais do que uma palestra. Foi também um exemplo claro de algo que acontece quando mulheres se juntam com intenção: cria-se espaço para partilha, inspiração e crescimento coletivo.

Ao longo do dia ouviam-se histórias de superação, de reinvenção profissional, de liderança, de coragem. Mulheres em diferentes fases da vida, com percursos distintos, mas muitas vezes com inquietações semelhantes.

Há uma energia particular quando mulheres se encontram em ambientes onde não precisam de competir, provar ou justificar – apenas partilhar e aprender.

E talvez seja precisamente por isso que o mês de março tem um significado especial.

O Dia Internacional da Mulher não deve ser apenas um momento simbólico no calendário. Deve ser um convite à reflexão sobre os caminhos que já percorremos e sobre aqueles que ainda estamos a construir.

Celebrar as conquistas das mulheres é importante, mas também é crucial falar das pressões invisíveis, das expectativas sociais e da carga emocional que muitas continuam a carregar.

Se há algo que eventos como o Woman Summit nos mostram é que o progresso não acontece apenas através de grandes discursos ou mudanças estruturais. Muitas vezes começa em conversas honestas, em momentos de identificação e em redes de apoio entre mulheres.

E talvez uma das mensagens mais importantes que levei daquele palco seja esta: a verdadeira força feminina não está em fazer tudo sem parar. Está sobretudo na capacidade de reconhecer limites, criarmos espaços de pausa e cuidarmos de nós com amor e autogentileza. No fundo, fazermos do Autocuidado um estilo de vida!

Porque até as supermulheres precisam de respirar.

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