Prof. Drª Mónica Gomes Ferreira, da MS Medical Institutes
Enquanto adolescentes, é frequente ouvirmos que devemos usar o preservativo para não se engravidar. Depois, já na fase adulta, aconselhamos o uso pelos mesmos motivos, mas esquecemo-nos que evitar gravidezes indesejadas e/ou prematuras é apenas uma das vantagens do uso do preservativo.
Este efeito barreira, seja em que idade for, é também a forma mais eficaz para se evitarem as infeções sexualmente transmissíveis, que são transmitidas se existirem relações sexuais (vaginais, anais ou orais) com uma pessoa infetada. Entre as principais infeções estão: clamídia, gonorreia, herpes genital, HPV, sífilis, HIV, hepatite B e C e tricomoníase.
Doenças como a gonorreia, a clamídia ou a sífilis que, apesar da informação disponível, têm vindo a aumentar, em Portugal e na Europa, afetando sobretudo jovens dos 20 aos 24 anos, como revelam os últimos relatórios epidemiológicos anuais do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).
O facto de serem doenças para as quais existe tratamento, faz com que a prevenção seja descurada. É frequente ouvir em consulta que “se existe tratamento, não faz mal”. E esta forma de pensar e agir é assustadora e não podia estar mais errada.
Se não tratadas, as ISTs podem causar complicações graves, como infertilidade (clamídia, gonorreia), cancro (HPV), problemas neurológicos e cardíacos (sífilis), ou até a morte (HIV, hepatites). Existindo ainda algumas ISTs que aumentam o risco de contrair o HIV.
Se assim é, porque é que o uso do preservativo ainda é negligenciado, registando-se inclusivamente um decréscimo no uso? Não deveria este ser um aliado a ter (sempre) por perto?
Devia ser um aliado para usar e abusar, mas a agitação do dia-a-dia, a desinformação, o impulso ou o facilitismo de uma relação desvirtuam o pensamento racional e criam mitos que são urgentes desmistificar:
- Se não tem sintomas, não está doente! Ao contrário de outras doenças, não é possível perceber se alguém é portador de uma infeção sexualmente transmissível apenas pela aparência. Inclusivamente, muitos(as) podem ser portadoras da doença sem o saberem, porque existem ISTs assintomáticas, no início.
- Só se for promíscuo(a) ou tiver várias relações desprotegidas é que estou exposto(a) às doenças. Errado. Basta uma relação desprotegida para a transmissão da doença.
3. Tomo a pílula, por isso estou segura. Falso, apenas o uso de preservativo (masculino ou feminino) previne a maioria das ISTs, a pílula só evita gravidez.
4. As ISTs só afetam as mulheres. Provavelmente as mulheres apercebem-se mais cedo que estão infetadas porque a consulta médica é mais frequente. Mas esta é uma ideia errada. Por exemplo, entre 2018 e 2022, o número de casos de clamídia entre homens, notificados como transmissão aumentou 72%.
5. No sexo oral, não é necessário usar o preservativo. É necessário e deves usar. Algumas IST também podem ser transmitidas via sexo oral desprotegido.
6. Não vale a pena usar preservativo porque rompe com facilidade. Pode romper, mas se for transportado e manuseado com cuidado, e substituído a meio, no caso de relações mais longas, a probabilidade é muito baixa.
7. Tal como qualquer outro produto, os preservativos também têm prazo de validade, devem ser seguidas as instruções de uso para um bom funcionamento do produto, por isso não vale a pena colocar dois. E se antes o uso era desconfortável e tornava a relação menos prazerosa, hoje existem diferentes tamanhos, cheiros, espessuras, cores ou sabores, tornando-se o uso quase impercetível, para tornar o momento mais divertido, em vez de uma obrigação.
Neste Dia Internacional do Preservativo, use e abuse. Descubra as variedades existentes no mercado e substitua a obrigação pela diversão.
