Nuno Markl | Fotografia: Instagram
Nécessaire

Nuno Markl sofreu um segundo AVC e foi considerado uma "raridade científica". Porquê?

Nuno Markl sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no final de novembro e revelou agora que dias mais tarde o episódio repetiu-se, mas com diferenças. Explicamos tudo.

Nuno Markl está a recuperar de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que levou ao seu internamento no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa, no final de novembro. Markl tem partilhado a sua recuperação através do Instagram e as mensagens de apoio nas caixas de comentários multiplicam-se a cada dia que passa.

Recentemente, esteve no Isso não se diz, o podcast de Bruno Nogueira, e revelou ter sofrido um segundo AVC poucos dias após o primeiro. "Foi dos dias mais tristes da minha vida", confessou o apresentador que nesse dia "tinha estado a andar, a treinar a subir e descer escadas". 

Markl sofreu dois AVC distintos o primeiro, a 20 de novembro, foi hemorrágico e o segundo, alguns dias depois, foi isquémico. "Não consigo distinguir bem os dois”, admitiu. Explicou ainda que esse segundo incidente, algo que os seus médicos descreveram como uma "raridade científica", o fez voltar "não ao zero, mas a menos 30" no processo de recuperação.

O que faz com que seja algo raro?

Sofrer um AVC pode "aumentar muito as hipóteses de ter outro", explica a Johns Hopkins Medicine, mas o médico que acompanha o apresentador explicou que habitualmente "o que acontece é primeiro [um AVC] isquémico e depois um hemorrágico". No caso de Markl, aconteceu exatamente o contrário.

Por exemplo, um estudo publicado no AHA Journals revela que mais de 50% a 90% dos casos recorrentes de AVC são do mesmo subtipo inicial, o que significa que, na maioria das pessoas, um segundo AVC tende a acontecer da mesma forma que o primeiro. Por isso, quando ocorrem dois AVCs de naturezas diferentes, como no caso do humorista, trata-se de uma situação estatisticamente pouco comum.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde, o isquémico é o mais comum, entre 80% e 85% dos casos, e acontece quando "uma artéria entope, impedindo o oxigénio e alimento de chegar a uma zona do cérebro".

"Esta falta de sangue, que por sua vez fornece oxigénio e nutrientes para uma zona do cérebro conduz à isquemia, impedindo o cérebro de funcionar adequadamente, causando sintomas que, se a artéria não reabrir com urgência, podem tornar-se permanentes", acrescenta o SNS.

Já um AVC hemorrágico "acontece quando uma artéria rompe, causando um hematoma no cérebro", lê-se online. Pode ser causado por "pressão arterial elevada (hipertensão) ou por defeitos nos vasos cerebrais que os tornam suscetíveis à rutura". Nestes casos, "a hemorragia dificulta a irrigação, comprime e danifica o cérebro, impedindo o seu funcionamento normal".

Muitos não sabem, mas o AVC "é a primeira causa de morte e incapacidade permanente em Portugal". Estima-se ainda que "1 em cada 6 pessoas vai sofrer um AVC ao longo da vida".

Geralmente, a lista de fatores de risco inclui diabetes; dislipidemia (colestrol elevado no sangue); hipertensão arterial; fibrilação auricular (uma arritmia cardíaca); fumar; excesso de peso e obesidade; abuso de bebidas alcoólicas; e sedentarismo/inatividade física. 

O que devemos fazer quando suspeitamos um AVC? 

  • "Pedir à vítima para sorrir. Se notar assimetria na face (se sorrir apenas de um lado) poderá indicar que o outro lado da cara está paralisado";

  • "Tentar falar com a vítima e verificar se comunica com clareza. Pode não conseguir conversar, ou arrastar a fala";

  • "Levantar os braços da vítima. Se um braço não levantar, poderá estar a sofrer um AVC."

Caso algum destes cenário se confirme deves ligar imediatamente para o 112.  Segundo o SNS, a chegada atempada a uma unidade hospitalar diminui "em cerca de 30 a 50% a probabilidade de morte ou de incapacidade grave". 

Evasão

Entre as luzes do Wonderland, há um Natal que pede mais do que presentes: famílias que acolham

Artigo patrocinado

Entre a magia do Natal e o brilho do Wonderland, a mais recente campanha da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa lembra que o gesto mais transformador desta época pode ser abrir a porta — e o coração — a quem precisa de um lar.

Nécessaire